Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de dezembro de 2004

Teoria da compensação

Eram dois rios. Engrossado revolto por emparedado em fragas agrestes, um. Tornado turbulento pelo sinuoso traçado, o segundo.

Corriam para o mar mas nenhum sabia.

Um dia antes do mar encontraram-se tornando-se afluentes um do outro. A paisagem aplanava naquele ponto, abrindo generoso espaço para o caudal de cada um — e ainda sobrava margem. Uma benesse! Puderam as suas lamas assentar nos fundos e as duas águas purificar-se preparando a união arquitectada pela Natureza.

Agora com tempo e espaço perdiam a timidez e foram as águas casando e descobrindo, com embaraçante surpresa, que as suas cores convergiam afinal para um azul novo, desconhecido até então. Compensavam-se mutuamente e compensados podiam espraiar-se na preguiça final antes de se fundirem na totalidade à beira do Oceano.