Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

6 de março de 2005

Quando o Amigo meteu a chave à fechadura da porta de entrada a Pope levantou os olhos do Kant que andava a tentar, sem sucesso, ler pela 14ª vez; pelos vistos ainda não era este semestre que conseguiria acabar o ano na Faculdade.

- Quem ganhou, querido?

- Eles – atirou o Amigo em tom seco. – Eles – repetiu, cabisbaixo, dirigindo-se à cozinha e ao frigorífico. A Pope devolveu os olhos às páginas, novamente sem sucesso; estava confusa e o estado de espírito não era o melhor, contava com o ânimo do Amigo para se reencontrar, nunca tinha desejado tanto que a equipa dele tivesse ganho, ela que odiava o jogo e as consequentes ausências dele.

O Amigo voltou do frigorífico; também ele precisava de consolo e a Superbock apenas refrescava a garganta, não a alma. Despejou Soft, a gata, do sofá rasgado e sentou-se mansinho, inquirindo-a:

- E você, rica? Que está a ler?

- A Crítica da Razão Pura. Uma coisa do Kant, esqueça, nem eu atino, respondeu a Pope em murmúrio.

- Eu sou mais crítico da tesão pura! – disparatou o Amigo e, finalmente, o clima desanuviou.

{ It’s only love, ZZ Top }