Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de setembro de 2007

Três questões do jornalismo actual (com respostas rápidas)

No rescaldo do SOPCOM, a que não fui (é muito longe), o Luís Santos perspectiva três das dicotomias com que o jornalismo actual se interroga (‘Casual games‘ – oportunidade para o jornalismo). Aproveitando para o saudar pelo feliz acontecimento pessoal por estes dias, recapitulo as questões aqui — com breves respostas reflexas. Matéria para reflectir fora do mando do tempo e por isso mesmo aqui arquivo a nota.

  1. reafirmação do profissional ou abertura ao amador?
  2. recentrar a actividade em torno de princípios, valores e modos de produção estabelecidos ou abri-la a construções discursivas mais próximas da coloquialialidade, mais arbitrárias na agregação de factos, mais experimentais em termos de partilha de inputs?
  3. apostar numa reforma de géneros tradicionais ou em estratégias informativas mais fluidas?

Respondendo:

  1. reafirmação do profissional, claramente. O amador tem os seus caminhos. Não estou certo que a integração do USG na produção de um jornal seja uma coisa boa. O objectivo essencial deve ser a participação e a discussão dos assuntos do jornal, sem que este abdique da orientação e do controlo de grau de exigência. No meu blogue mando eu, mas no Expresso manda o meu editor.
  2. Como diz o próprio Luís, aqui não é ou mas sim e. A actividade dispersou e precisa recentrar-se nos seus valores de fundação, modernizados precisamente pela via do experimentalismo de inputs — e de outputs também: há um mar de coisas interressantíssimas por produzir!
  3. Fluidificar as estratégias. Não é preciso reformar a entrevista ou a reportagem, que continuam a fazer todo o sentido tal e qual as conhecemos. Eu quero ler as perguntas e as respostas, e o diálogo que delas decorre, entre um jornalista traquejado e preparado e uma figura com algo para dizer, não quero nenhum sucedâneo disto. Eu quero uma reportagem com investigação e cruzamento das pistas, dispenso discursos de aviário embrulhados em fotografias. Agora, filmamos também a entrevista? Sure. Ou vice-versa, publicamos a versão texto. Fazemos teasers. Isolamos materiais que possam ser isolados sem descontextualizar e usamos noutra lógica. Sim. Mas eu ainda quero a entrevista como ela foi feita, não se esqueçam.