Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de maio de 2007

TV Móvel e vídeochamada são mesmo um êxito?

Texto de autor convidado: Miguel Vitorino.

A RTP divulgou há um mês que teve mais de meio milhão de visionamentos na TV móvel (notícia no Diário Digital). Por sua vez, os operadores de telemóveis dizem ter havido quase milhão e meio de vídeochamadas no primeiro trimestre (ler no Tek).

Estes números parecem significativos mas significam que estes serviços são um sucesso? Confesso que nunca vi ninguém na rua, casa ou escritório a ver TV pelo telemóvel ou a efectuar uma vídeochamada. Tenho um palpite que você também não. Por onde andarão os utilizadores desses serviços?

( Com este post inauguro em Certamente! a publicaçâo de série com textos de autores convidados )

A vídeochamada é uma péssima ideia desenvolvida nos anos 60 (confira na Wikipedia) que é promovida a grande inovação técnica sempre que se dá um salto tecnológico. Ainda há uns três anos a PT Comunicações encetou uma grande campanha a promovê-la na rede fixa com uns telefones todos hi-tech com ecrã. A adesão foi insignificante. Uma grande vantagem do telefone é podermos atender uma chamada de negócios em pijama ou falar de mexericos enquanto se vê a bola na TV.

Na altura em que foram apresentados os telefones de terceira geração, os operadores não se cansaram de tecer loas à vídeochamada. No entanto, vários estudos independentes revelaram a indiferença dos consumidores que apenas queriam chamadas mais baratas (a esmagadora maioria) e mais rápido acesso à Internet.

Quanto ao Mobile TV, tem tudo para ser um insucesso. Fora o inegável virtuosismo técnico, qual o interesse em ver TV num ecrã minúsculo onde não se conseguem ler as legendas dum filme e onde há dificuldade em vislumbrar a bola num jogo de futebol?

Miguel Vitorino, de Impressões Digitais

(Com este post inauguro em Certamente! a publicaçâo de uma série com textos de autores convidados).