Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de dezembro de 2007

UE-África: zés para exportação, a chave do sucesso

Segui a cimeira EU-África ao longe, semi-desatento. Nas televisões predominou o folclore que se tornou na forma de fazer política para as massas, seja qual for o partido / associação / grupo (o que tira muita da força argumentativa, quando a há, aos que crucificam os jornalistas de televisão).

É preciso ler os especialistas e ver os efeitos para efectivamente fazer um balanço. Sob pena de criticarmos a espuma dos dias com… mais espuma dos dias.

Há pouco li Ana Gomes no Causa nossa e dei comigo a concordar também ao longe, semi-desatento. Destaco do primeiro balanço:

Claro que a Comissão Europeia também deu uma forcinha – e de novo se viu como Durão Barroso esteve em total sintonia com José Sócrates… Mas o mérito de ter levado àvante a Cimeira, contra tudo e todos (e a ausência de Gordon Brown foi, de facto, contrariedade menor….), cabe inteiramente à determinação do Governo português.

Depois do Zé do Boné no futebol Portugal tem agora mais dois zés de exportação (e não vejam nisto nada de depreciativo).

As minhas desconfianças de muitos anos sobre José Barroso começam a esfumar-se com o tempo e vai-me pagando a factura da deserção com desempenhos europeísticos acima da vulgaridade.

E José Sócrates, enquanto político-bombeiro (praticamente a única espécie hoje capaz de ser governo e de governar o caos, esse subproduto do capitalist way of doing things), tem vindo a superar-se. Já tem emprego garantido quando largar o batente (pessoalmente, dava-lhe jeito já em 2009, mas o país não irá na fita, não sem ter uma alternativa).

Só é pena não conseguir vencer o desemprego. Mas then again, a culpa é a repartir com os endémicos do costume: os nossos imensos visionários detentores dos meios de produção.

Depois do vinho do Oporto, do Sol algarvio e dos gigolos de Albufeira, Portugal abre uma nova linha de exportação: políticos chamados Zé. Porreiro, pá.