Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de novembro de 2005

Uma campanha alegre

UMA CAMPANHA ALEGRE. Tenho a maior das dificuldades em pensar o mundo a preto-e-branco. Apesar de ter começado pela fotografia por aí e ainda hoje ser capaz de revelar um rolo e manusear o ampliador e a esmaltadeira. Os 256 tons de cinzento são o meu mínimo para começar uma conversa. Claro que em política não posso pedir tanto: não vivemos num mundo anarquista, onde todos são inteligentes, cultos e responsáveis. Talvez cheguem umas seis a nove tonalidades. Isto numa democracia, claro está.

Manuel Alegre cometeu um erro no início disto tudo. Quando começou por dizer que não era candidato, só queria marcar a sua posição. Acabou por ter de ser candidato — surpreendido pela exigência de grande parte da população socialista ou afecta. Havia afinal um espaço para ele — uma causa, que de imediato abraçou.

A causa pode ainda não ser totalmente nítida. O fantasma de uma cisão no PS (já houve uma, mas mais na franja lateral direita, com o PRD)? Os descontentes de Sócrates? Os enjeitados do soarismo (e que não recebem da Fundação Mário Soares)? Será mesmo verdade aquilo dos cidadãos simplesmente descontentes com os partidos?

Tenho de ir dormir, não vos vou responder. Mas fiquem com esta: os opinion-makers do costume estão a cair no mesmo erro de Alegre. Há um país político para além da Maçonaria e da Opus Dei. Não há pior cego.