Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

9 de setembro de 2005

Uma petição por Alegre; quero uma por Marcelo

Eu não devia meter-me nisto. Dizem amigos e familiares, convencidos que eu só me lixo, porque a tacharia e demais benesses oficiais (e ele há outras neste “país”?) ficam ainda mais longe. À direita, um gajo que abra a boca (sem espumar, bem entendido) por um brilhante dignatário na presidência (Marcelo) em vez de um baço dignatário (Cavaco), é zurzido e olhado com violência pelos seus pares. A direita julga que tem um grande candidato e qualquer voz que coloque a asserção em causa é considerada uma voz do demo — o que só prova, imho, que a candidatura afinal tem pés de barro ó ó se tem.

À esquerda que fica à direita da esquerda verdadeira, não está nada a dar falar “contra” o mui nobilíssimo Mário Soares, que até já cumpriu dois mandatos com brilho, oh yes. Como é o candidato oficial de Sócrates e do PS, condicionou logo todos os que não têm já uma benesse, e também os que já a têm. E se um gajo ousar suspirar alto pela candiatura de Manuel Alegre, que seria, essa sim, um refrescamento da política nacional (andam sempre a dizer que a política cheira mal, e tal e coiso, mas quando vêem um homem vertical e ainda não vergado ao capital, que afirma sonhar borram-se todos e querem é um “papá” lá em cima) caem-lhe todos em cima. Shiu, ainda perdes o subsídio / me fazes perder o subsídio!

Bem, eu não tenho subsídios e tudo indica que continuaria a não os ter fosse como fosse, portanto aqui vai. Consciente das suas poucas possibilidades de sucesso embora, assinei por convicção pessoal a petição Movimento cívico de apoio à candidatura de Manuel Alegre. Sei que os meus amigos no Governo e perto dele são capazes de torcer o nariz. Mas esses conhecem-me ;)

Assinaria uma por Marcelo Rebelo de Sousa, se a encontrasse. Estes dois são os meus dois candidatos a representar Portugal enquanto presidentes do país. Estes dois são homens da política não inquinados por ela. Estes dois são homens que daria gosto ver no mais alto cargo (se querem mesmo que vos diga, não terei prazer nenhum em ver Cavaco em Belém; aceitarei o facto, claro, mas sem pinga de prazer ou rasto de alegria e com zero motivação cívica, e com Soares passar-se-ia rigorosamente o mesmo). Marcelo e Alegre dariam um contributo sadio à campanha e à política em Portugal. São por isso os “meus” candidatos. E por isso não são candidatos.