Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de junho de 2006

Vá, meninos, digam boa noite ao avô

Portugal foi Luís Figo e mais 10, dos quais se destacaram Pauleta pela positiva e Simão pela esforçada trapalhada. Ricardo cumpriu. O resto da cambada andou a fazer número, porque as regras mandam que sejam 11. No final e antes de irem às suas vidinhas foram beijar o anel ao capitão, não fosse apanharem-no já recolhido aos seus aposentos.

Não julguem que estou desiludido. Pelo contrário, estou bastante contente com a selecção portuguesa. Fazendo jus à sua gerôntica condição, soube marcar cedo, depois entregar a iniciativa ao adversário para este se recrear um pouco com o esférico (o efeito Gabriel Alves) e, na segunda parte, controlar totalmente o jogo fingindo que se passava alguma coisa e esperar uma oportunidade para desferir a estocada final. Não deu, azar, temos pena, fica para a próxima.

Estou contente porque vi uma selecção prática, que entrou não com o pé direito que só interessa aos superticiosos mas a ganhar, que é como entram os que querem sair dali com uma história para contar. Desde que vejo futebol a este nível, que é mais ou menos desde Saltillo, que vejo a equipa portuguesa fazer muito fumo e muito barulho e passar depois o tempo em matemáticas e esquemas. Desta vez não houve fumo nem barulho – mas largámos os vícios das equipas tontas.

Para o futebol bonito, os nossos já deram — e deram muito. Deram tanto que em duas fases finais consecutivas arrecadaram os prémios de lata. O avô aprendeu. Olhem para ele: é o mais (e melhor) motivado jogador português, o mais realista, o que mais tem a ganhar (para não terminar a carreira só com lata no armário). Que joguem bonito os klinsmanns que se andam a fazer a um lugar. Que a Imprensa se entretenha com os ronaldos, suas fintas e suas vidas sexuais. Mas que todos cumprimentem o avô, que é o único que sabe o que quer. E como lá chegar.