Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de janeiro de 2008

Zeppelins: voltaremos a tê-los?

Em os hangares dos dirigíveis seven traça um quadro histórico breve dos zeppelins, a que eu somo a pergunta: voltarmos a tê-los nos nossos céus?

O artigo no Obvious é bonito, repleto de fotografias muito bem escolhidas em função da história que conta — abreviada mas focando o essencial. Aliás, basta ler os comentários para perceber o poder do post: muitos leitores que nunca tinham ligado à história dos zeppelins ficaram agarrados ao texto.

Hangar de Lakehurst em New Jersey, nos EUA, onde o tremendo zeppelin Hindenburg não chegou a aterrae, incendiando-se antes

Já nos comentários, o autor adiciona: “Sempre achei os zeppelins das criações mais delirantes do homem. São pura e simplesmente fascinantes e irreais. São máquinas insanas saídas de um livro de Jules Verne em direcção a qualquer mundo perdido. Custa-me a acreditar que alguma vez existiram

Não deixam de ser impressionantes, sem dúvida!

E como outros delírios de Verne tornaram-se afinal realidade. Talvez deslocada no tempo, porém. Considero que os dirigíveis vieram cedo demais. Sendo certo que a história da aviação comercial teria sido diferente se o Hindenburg não se tem incendiado, não o é menos que os zeppelins não morreram. Apenas regressaram ao universo dos sonhos e às pranchetas de desenho dos ousados — e às fantasias de alguns, que pagam por viagens turísticas em dirigíveis pequenos e modernos, especializados em casamentos & baptizados e orçamentos para empresas.

Quando falo em universo dos sonhos e pranchetas de desenho, falo do futuro da aviação comercial. Com o petróleo entrado na sua curva descendente de extracção, o preço não mais parará de aumentar — seja mascarado pelo que for: OPEPs, governos, interesses pessoais de Bush, “crises” no Médio Oriente ou “excesso” de demanda pelos chineses e outros emergentes. Não se sabe a partir de que ponto deixará de ser economicamente viável a aviação a jacto, mas é sensato prever que esse momento chegue (é pelo menos um pouco mais sensato do que esperar por um novo tipo de combustível, ou energia, capaz do boost que tiramos da gasolina).

Os dirigíveis são uma alternativa para as viagens aéreas.

Como noutros casos de técnicas e tecnologias que sofreram da comercialização prematura — estou a lembrar-me das centrais de fissão, que se sabia comportarem riscos que permanecem sem solução décadas volvidas –, os zeppelins evoluiram magnificamente neste período em que só receberam a atenção dos seus defensores e entusiastas.

Talvez ainda no meu tempo de vida (e no teu, seven) os grandes hangares europeus voltarão a ser iluminados e a azáfama neles fervilhará.

(Nota pessoal: na minha modesta opinião, faltou a todo o debate sobre o futuro aeroporto de Lisboa o ponto do futuro da aviação comercial; fossem as questões de segurança, que permanecem no pós 11 de Setembro, fossem as questões pertinentes das alternativas aos piores, dentro dos previsíveis, cenários do preço do combustível, fossem questões de engenharia relativa à adaptação das instalações a novos tipos de aviação comercial. De notar que no extremo das preocupações de alguns, quando o novo aeroporto de Lisboa estiver a operar em pleno podem não voar jactos comerciais em número suficiente para o justificar.)