Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de junho de 2010

A seleção de Portugal tem um problema com as estatísticas. É desconcertante

A seleção de Portugal tem um problema com as estatísticas. São algo desconcertantes. Coisa que as estatísticas têm o bom hábito de não ser.

Por exemplo. Nuno Santos recapitula: “desde o Europeu de 2008 que Portugal não ganha a um dos 50 primeiros classificados do ranking da FIFA. Na qualificação, Portugal não conseguiu ganhar a Dinamarca (36ª) ou à Suécia (37ª). O melhor que a Selecção de Queiroz conseguiu foi derrotar a Hungria (57ª do ranking) e a Bósnia (51ª)” (em Portugal não ganha um jogo oficial a um dos 50 primeiros do ranking mundial desde Scolari).

No Mundial Portugal viveu bem mais da ilusão de grandeza do que dos resultados: 4 jogos, 2 empates, 1 vitória e 1 derrota. Prestação mais mediana não há.

Apesar dessa insuficiente mediania, e com ela contrastando, Portugal teve um dos melhores scores em termos de golos. Tanto nos marcados, 7, como nos sofridos, apenas um. Como na diferença: 6 golos positivos.

Mas outro dado ensombra esse notável registo: o ataque português só concretizou em 1 dos 4 jogos disputados.

Quem explica a disparidade?

Evidentemente, a Coreia do Norte. Aquele jogo completamente atípico veio perturbar a ordem da seleção de Queiroz, a ordem da mediania.

Se à Espanha fez bem perder o primeiro jogo contra a Suíça, a Portugal fez mal ganhar o segundo jogo contra a Coreia do Norte.

Bizarrias.

Que seca, o futebol de seleção perturba o retalho de pronto a vestir e sapatilhas

Quanto ao mais bem pago jogador de futebol do mundo e, quiçá, do sistema solar, é a prova de que mais cedo ou mais tarde as marcas mandam acabar com o futebol de países: não contribui para vender sapatilhas e pronto a vestir a preços astronomicamente acima do seu valor. Logo, devíamos acabar com essa merda, pá.

Cristiano Ronaldo só uma vez marcou pela seleção portuguesa contra um adversário do top 10: no dia 30 de Junho de 2004 no Estádio José Alvalade contra a Holanda.

Eu repito, caso não tenha percebido: Cristiano Ronaldo só uma vez marcou pela seleção portuguesa contra um adversário do top 10: no dia 30 de Junho de 2004 no Estádio José Alvalade contra a Holanda.

Acabe-se com os jogos de seleção, só prejudicam o setor da venda a retalho de sapatilhas e pronto-a-vestir.

A célebre miopia do casmurro

Salientando, de perguntem ao Queiroz, por João Pinto e Castro:

Do primeiro ao último jogo, todos os livres a 40 metros da baliza foram rematados directamente ao golo pelo Ronaldo, o que significa que nenhum desses lances se aproveitou. Quem decidiu assim?

Se foi Queiroz, fica claro que a sua táctica resumia-se a esperar que Ronaldo resolvesse os problemas da selecção num rasgo de génio. Se foi Ronaldo, fica claro que a selecção não tem orientação. Vendo bem, ambas as alternativas levam à mesma conclusão“.

Queiroz tem competências acima da média enquanto organizador. Revelou, na conferência de Imprensa final, que tem aprendido com as derrotas. Está mais humilde. Bem, isso significa apenas que está mais velho. Comes with the years. A casmurrice, essa, refina. Eu bem sei.

Não é a primeira vez que os seus erros de avaliação da situação dão buraco. Bem sei que ele não passa da tecla dos “detractores”, mas eis 3 decisões comprovadamente erradas: 1) insistir na marcação de livres diretos em zonas que apelam ao milagre; 2) substituição de Hugo Almeida, a favor do seu “plano de jogo” mas contra a realidade do jogo contra a Espanha; 3) utilização de Pepe.

Conclusão e não se fala mais nisso

Tirando a parte do Ronaldo, que é manifestamente um futebolista hiper-valorizado, penso que a equipa cumpriu. É uma equipa mediana, conduzida de forma mediana, os oitavos de final são até uma superação, se bem que ligeira. 3 jogadores destacaram-se pela positiva. Uma vez mais o guarda-redes. Eduardo muito bem, no topo do mundo. Fábio Coentrão e, ainda assim, Raul Meireles.

Pronto, fim do meu artigo amargo sobre a seleção de Queiroz.