Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de julho de 2010

Anonimato, Valupi, blogosfera, pseudónimo, maldade e outras keywords do género

Um dos temas mais perenes na escrita online é o tema do anonimato. Compreendo porquê: sendo a blogosfera um meio escaldante e excessivamente acessível, presta-se à confusão através de ataques pessoais, propagação de mentiras e outras maldades.

Crédito da foto: dumbeast, no Flickr

Sempre assinei com o meu nome, perfeitamente identificado, e é prática que recomendo. Isso não obsta a que defenda o direito ao anonimato. E defender o direito ao anonimato nem de perto me qualifica como agitador. Em toda a escrita publicada, em todos os meios conhecidos, dos livros e opúsculos aos pasquins e aos jornais de referência, sempre existiram autores anónimos. E autores sob pseudónimo — sendo que o pseudónimo, hoje, naquela bloga lusa dada à traulitice politiqueira, é arrumado na prateleira do anonimato.

Quem arruma assim é gente pouco lida — ou transparentemente intencional, o que é pior visto aqui do meu canto: ser inculto só afeta o próprio, ser maldoso infecta o meio ambiente.

Um dos VMF, Visados Mais Frequentes, da paranóia com o anonimato é Valupi, celebrado autor do AspirinaB. É dele o recomendável parágrafo abaixo:

Há uma onda de irracionalidade, se não for atitude intencional, nas acusações de anonimato dirigidas a pseudónimos ou, quiçá, pseudo-pseudónimos. O anonimato é a situação em que alguém se furta à identificação, não a situação em que alguém se torna famoso num dado grupo precisamente por ter expressado facetas da sua identidade de forma constante, coerente e acessível à interacção com terceiros. Usando o meu caso como exemplo, é aberrante descrever como anónimo quem é identificado pela assinatura, pelo blogue, pela escrita, pelos testemunhos de terceiros e pelos dados biográficos revelados. Sem mais informações identificadoras, em que é que se distingue o pseudónimo de dois nomes próprios que poderão ser de dezenas ou centenas de pessoas? E qual o problema de se fazer reserva de identidade, ou ser discreto, num canal de comunicação que é privado, como o são os blogues? Acima de tudo, estamos no campo da deslealdade e do insulto quando se fazem acusações de carácter sem ter previamente tentado contactar o suposto anónimo em causa para lhe pedir informações relativas à sua identidade. Isso é o equivalente a andar pelas ruas a chamar anónimo a quem passa“.

Faça o favor de ler tudo, divertindo-se um pouco também nos comentários: Bengaladas nos conhecidos.

Devo agora dizer: troco com Valupi alguma correspondência relacionada com o blog AspirinaB por causa da minha responsabilidade técnica nesse blog; não conheço pessoalmente Valupi mas é provável que venha, também eu mas por razões diferentes, a pagar-lhe um café, ter o prazer de o conhecer e argumentar face a face; e mantendo a saudável reserva das pontuais discordâncias, gosto de ler Valupi e tenho respeito pela sua formidável escrita. Hoje, “obra” é uma palavra que descreve uma realidade diferente da que retratou nos séculos de Gutenberg.