Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de agosto de 2008

Batman: O Cavaleiro das Trevas em dois períodos

Fomos ver o último Batman, O Cavaleiro Das Trevas (The Dark Knight). É muito simples descrever o que senti. Dois períodos.

Um. Dá para perceber onde gastaram eles a horrível pipa de massa que o filme custou. Foram 185 milhões de dólares bem gastos.

Dois. Dá para perceber porque é que a bilheteira pagou o filme nos primeiros 3 dias de exibição — com um recorde que constitui por si só um marco para o cinema do século XXI: 6,2 milhões de dólares do primeiro fim de semana vieram do box office do Imax, uma das principais armas para que a indústria do cinema resista ao assalto do P2P.

Ok, uma adenda: boa parte do resultado deve-se ao infeliz Heath Ledger. A película torná-lo-á imortal. Com razão. O seu Joker faz-nos esquecer a criação original do super hiper mega ultra fabuloso actor Jack Nicholson para o primeiro Batman moderno (o de Tim Burton em 1989 com Michael Keaton a usar a mácara das orelhinhas que fez as delícias da Ana). Sim, leu bem. O personagem de Nicholson é (justamente) legendário e Ledger cometeu a proeza, rara no cinema, de recriar o personagem mantendo as características essenciais mas descartando tudo o mais (e se era fácil limitar-se a homenagear os tiques de Nicholson) e construindo um Joker irrepetível que é o dele e sendo diferente do de Nicholson é igualmente um excelente, irrepreensível trabalho de representação.

Também gostei mais de Christian Bale que dos anteriores esquizofrénicos alados. Rosto fechado por rosto fechado, o seu é mais expressivo que o de Keaton. E tem definitivamente mais densidade — o que, para um filme pipoca, é obra.