Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

27 de março de 2008

Certamente que foram cinco anos extraordinários!

ventoabr-p.jpgHá exactamente cinco anos — contados ao minuto — publiquei neste endereço o primeiro artigo em formato de blogue: um registo eminentemente cronológico, editado com o auxílio de uma ferramenta específica para a publicação na web. Às 3:11 de 27 de Março de 2003 publicava em O Captain! my Captain! a primeira citação das milhares aqui reproduzidas entretanto:

We dont read and write poetry because its cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. Medicine, law, business these are all noble pursuits necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, and love; these are what we stay alive for“.

Estava longe de saber o que me trazia o futuro — e o futuro do blogue então conhecido como (o vento lá fora)* trouxe-me indirectamente a Ana, ao estabelecer a possibilidade de uma conexão de nós que nunca teria sido possível no mundo físico. E isto a despeito de neste, curiosamente, nos termos cruzado nos mesmos espaços em algumas ocasiões, desde tempos imemoriais no Palácio Foz, dos quais gostaria hoje de ter mais do que a ideia de uma possibilidade hipotética, gostaria de ter uma recordação, uma memória, um vislumbre que fosse!

Mas em 27 de Março de 2003 acreditava nas palavras eufóricas de Robin Williams em Clube dos Poetas Mortos, como continuo a acreditar. Somos medicine, law and business e sem poetry, beauty, romance and love não há rastilho, não há sorriso, não há.

Em 27 de Março de 2003 eu encontrava-me ainda, embora já de saída, num escuro beco emocional e neuronal. Gosto de pensar no primeiro post como no sinal para a (minha) posteridade de que eu lutava por dias com cores dentro. Precisamos do cimento das simbologias para ligar os tijolos da nossa vida.

Chorava a escrevê-lo, lágrimas de coragem, lágrimas de arrumação. Lágrimas do desejo ardente de ver o Sol, a luz — algo que não fosse a noite, só a noite, toda a noite.

O dia seguinte a 27 de Março de 2003 foi o dia 5 de Junho de 2003, dia do aniversário do meu nascimento, a última noite caiada de baço.

E o dia seguinte a esse foi o dia 10 de Junho de 2003. Vi nascer o Sol sobre a A2, eu em movimento lateral ao astro, como vira no dia 6, desde o dia 6 e veria por mais um mês e meio, todos os dias da semana, e abri o acanhado escritório nas traseiras do Monumental de uma Lisboa descoberta pelo feriado. Na palpitante blogosfera acabava a Coluna Infame — dei por tal, apesar de estar a ultimar o código da homepage para abrir as portas do weblog.com.pt, o primeiro alojador português de blogues, que iria deixar uma marca indelével na blogosfera.

O dia 27 de Março tem outra efeméride, uma efeméride vibrante. Este ano com uma importância acrescida. Será em parte por ela que também abordei com seriedade inédita a recordação desse 27 de Março de 2003. Uma recordação que não se confina a um dia, corresponde a um estado de espírito e estende-se por um período de tempo de mudança profunda na minha vida.

A menor das mudanças é afinal esta que marca o tempo como um símbolo: a da Internet (desde 1988, levo 20 anos dela), da informática (tenho computador há um quarto de século), a da comunicação um para muitos (trabalho em jornais desde 1978). Tudo isto faz parte do meu fio da vida. O que 27 de Março de 2003 trouxe de novo a esse fluxo foi a minha própria presença.

Não como um travesti de zombie, mas como eu próprio, com as minhas qualidades e defeitos.

Com (o vento lá fora)* abri as portas à vida. Em boa hora o fiz, pois que se seguiram cinco anos extraordinários, quatro dos quais com o bónus de maravilhosos!

Em Abril de 2003

ventoabr.jpg

Em Junho de 2003

ventojun.jpg