Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de junho de 2009

De Eiffel ao Google: criatividade e inovação como atitudes

Quando pensamos em criatividade temos tendência a associar o termo a actividades culturais. Paralelamente, o termo inovação evoca logo cometimentos na área tecnológica. Há que ser criativo e exercitar o pensamento contrário!

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Pense o leitor na torre Eiffel. Mesmo que não tenha estado lá, que não tenha tocado o ferro, conhece inúmeras fotos. A torre que domina Paris é um dos emblemas da civilização ocidental. Qual o termo que lhe ocorre: criatividade ou inovação? Ou ambos?

Repita o exercício desta vez pensando no motor de pesquisa Google. Que termo é mais adequado, na sua cabeça, para o classificar: criativo? Inovador?

Provavelmente, respondeu “criatividade” para o primeiro e “inovador” para o segundo.

No primeiro caso, pensamos na beleza da torre, no seu impacto visual, orgulhamo-nos da sua imponência e graça. No segundo agradecemos a funcionalidade, a extraordinária capacidade de nos apontar os melhores resultados para as nossas pesquisas.

No entanto, ambos são maravilhosos exemplos de obras de engenharia, muito avançadas para os seus tempos. Sergei Brin e Larry Page não foram menos criativos que Gustav Eiffel. O engenheiro da torre parisiense não foi menos inovador que os estudantes do motor de pesquisa americano.

Sempre uso este exemplo duplo para ilustrar a minha convicção de que a nossa sociedade passou o último século a sobrevalorizar os autores das actividades culturais, esquecendo as obras que não pertencem às indústrias mediáticas.

É como se Da Vinci fosse admirado apenas como pintor, esquecendo nós o seu contributo para a ciência — que, aliás, é bem mais extenso.

Fernando Pessoa escreveu um belo poema que sintetiza isto mesmo:

O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por isso. óóóó—óóóóóó óóó—óóóóóóó óóóóóóóó (O vento lá fora.)

A criatividade e a inovação são sobretudo atitudes. Podemos melhorar todo e cada aspecto das nossas vidas, tanto na parte funcional como na parte lúdica, estimulando essas atitudes.

(Republicação. Originalmente publicado em 22 de Junho de 2009 em Criar2009, a publicação portuguesa do Ano Europeu da Criatividade e Inovação. Link. )