Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de agosto de 2008

Jazz, blues, swing — o fabuloso mundo das 78 r.p.m. está por descobrir (e abrir)

É um fabuloso catálogo dos velhinhos discos de 78 r.p.m. e tem jazz, blues e swing ao meu gosto, razão desta primeira selecção (haja tempo, farei outras).

Esta em particular tem dedicatória. A primeira música da playlist é Evil Gal Blues, gravada pelo sexteto de Dinah Washington para a Keynote. A sua audição foi o surpreendente prazer de uma tarde de feriado a meio de Agosto, um feriado hors serie, e a minha Ana é o alvo deste gesto. Por várias razões, a grande maioria delas não partilháveis, mas um posso (devo) partilhar: o Modus vivendi é um bastião seguro de excelentes escolhas em várias artes. O cuidado que coloquei neste tocador de discos, que me deu algum trabalho “montar”, é inspirado no, e homenageia o, trabalho da Ana para a sua audiência tão especial:

Para ouvir, precisa ter ligado o Javascript e possuir Flash Player 9 ou mais recente.

Nota: se pretende manter o tocador enquanto navega com esta janela, use esta versão numa nada intrusiva janela pop-up (não servem só para a publicidade!)

Um pouco da história deste artigo. Começa no belo post do Miguel Caetano no Remixtures, Um arquivo online com milhares de MP3 de discos de 78 rotações. Recomendo a sua leitura, assim dispenso-me de grandes explicações. Em resumo: um americano decidiu passar os seus 78 rotações para mp3 e está a fazê-lo com aparelhagem doméstica (a foto é do seu “estúdio“.

A colecção é tão valiosa quanto ilegal: as leis de direitos de autor tentam impedir o acesso a este tipo de bibliotecas, tendo a indústria a peregrina ideia de que aquelas músicas lhe pertencem, e vão conseguindo esticar, esticar, esticar os prazos de protecção dos direitos.

Além da leitura do artigo no Remixtures, que cita as peças da Wired sobre o projecto, o seu autor, Cliff Bolling, e as vicissitudes (o site já esteve em baixo), deixo-vos a pista para a página onde estão as mais de 3.700 faixas já salvaguardadas em mp3.

É de lá que virá a música, sempre que um leitor carregar num dos botões e links deste meu tocador. Ao contrário do que é meu hábito, decidi não replicar localmente os ficheiros.

O tocador deu-me algum trabalho a encontrar e menos a parametrizar — é fácil, basicamente é editar um ficheiro XML. É um player em Flash que permite a integração de uma imagem por cada música (as imagens, Cliff não fornece, mas encontram-se na web). É simples e é precisamente o que eu queria. Optei pela versão gratuita, pelo que tendes o link para o site do autor. Há uma versão registada, que permite tirar o link e a inscrição de “unregistered”, custa $14,99.

Para quem, como eu, prefere usar este tipo de soluções de programadores, mais cozy, ao invés das widgets e aplicações dos serviços de massas, esta aplicação multimedia é bem boa. Um poucochinho de stylesheet e javascript básico (este gerador online de pop-ups) e já está.

Espero usá-la mais vezes, à medida que for redescobrindo mais algumas pérolas da época dos 78 rpm — uma altura que tem as suas parecenças com a actual web social, a indústria musical ainda funcionava segundo uma lógica de descobrir e promover os talentos musicais, uma época industrial com o seu quinhão de romantismo, como todas as épocas que precedem a inevitável racionalização que acaba por tornar cada indústria cultural numa colossal maçada.

Finalmente: este artigo fica ligado a um outro sobre música, mas música clássica para download gratuito e legal, que escrevi já há uns anos e reescrevi há poucos meses, já este ano, respondendo à sua tremenda popularidade.