Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de março de 2011

#jvq: O jornal da Vanessa Quitério e um “tweeturial” sobre jornalismo e online

Foi uma “tweetsoirée” interessante. Começou porque a Vanessa Quitério, como é recorrente, começou a falar sobre as dificuldades dos novos jornalistas em encontrarem trabalho remunerado. A conversa pegou viral na hashtag #jvq (Jornal da Vanessa Quitério).

Entrei em andamento e contribui com meia dúzia de coisas. No final fui surpreendido por um comentário do Secretário de Estado da Energia e da Inovação, Carlos Zorrinho. Refleti e acabei por aceitar o desafio dele, compilando aquilo a que ele chamou de Tweeturial (ver mais adiante) — uma aula em tweets. Esperando que ele tenha razão e que a “aula” leve algum valor aos jornalistas à procura de saída profissional.

Segue-se abaixo, relativamente editado. Toda a conversa está arquivada com a hashtag #jvq, onde pode o leitor buscar o contexto de algumas das frases abaixo.

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(Quando entrei na conversa debatia-se a ideia de que todos podiam contribuir para a teórica publicação da Vanessa. Era uma forcinha para ela; as boas intenções são sempre bem vindas. E se forem devidamente enquadradas e tornadas realistas, melhor).

#jvq Vanessa, não caias nessa de “todos podemos contribuir”. O facto de podermos não significa que vamos contribuir.

#jvq os laços online são ténues demais para aguentar uma coisa séria, como uma publicação.

@vanessaquiterio Fazer uma publicação online (como offline) dá um trabalhão. Continuado durante muito tempo. #jvq

@vanessaquiterio Online funcionam melhor casos pequenos: 1, 2, 3 amigos no máximo. Que se DEDICAM semanas, meses, anos. #jvq

#jvq E nem sempre há sucesso no final da viagem. Mas por vezes há. E em Portugal. Logo, Vanessa, pensa e ACTUA. Rápido.

@catmagellan Falhando é que se aprende! 1 dos problemas de Portugal é as pessoas terem um medo insuportável de falhar #jvq

@mirandacelso A redação não tem de ser física. Mas ajuda muito a possibilidade de reunir num lugar físico 2 ou 3 x por mês #jvq

@vitriolica Eheheh… conheço uns bardamerdas inúteis que é isso que fazem: apontar os erros alheios. Incapazes de fazerem algo por eles #jvq

@vitriolica Mas com esses não se conta. Nem mesmo como críticos: os seus egos acabam invariavelmente por pessoalizar os assuntos. Inutilidade. #jvq

@mirandacelso Um edifício não dá credibilidade… #jvq

@catmagellan A via do “não temos nada a perder” não aguenta muito tempo… Já vimos isso acontecer por aí… repetidamente #jvq

@catmagellan Nada contra fazer — apenas alertar para que isso é insuficiente para *fundar* um jornal / projeto editorial consistente #jvq

@mirandacelso Com telefones, 1 serviço de secretariado e espaços que se alugam, faz-se na maior. Há aí espaços incríveis #jvq

bingo RT @MrSteed: @vanessaquiterio @PauloQuerido “a chama acesa” mantém-se com euros na conta da malta q escreve :) #jvq

A energia e o entusiasmo são determinantes para arrancar um projeto, mas não o propulsionam no médio prazo. #jvq

Isso de tanta gente a procurar emprego… Essa energia não se aproveita se não for embainhada. A entreajuda não funciona em Portugal #jvq

Vanessa, esquece Grandes Projetos. Os portugueses desconfiam, acham que os vão explorar. Nem a Wikipedia editam, com medo #jvq

Concentra-te num projeto bem focado, com 1 ou 2 amigos mais. Acima disso, é distração. #jvq

A questão não é pegar numa plataforma grátis e produzir conteúdos. A questão é obter com isso um rendimento. #jvq (segue)

Conheço vários projetos de publicações online em portugal com sucesso, sucesso aqui definido como “obter rendimento igual ou superior ao do ordenado médio dos jornalistas” #jvq (segue)

Têm todas em comum isto: 1) equipas centrais inferiores a 4 pessoas, na maioria das vezes 1 ou 2 #jvq

2) atenção focada a um nicho, aspeto, formato, tipo de conteúdo — ou de audiência. #jvq

3) uma ENORME preserverança: os primeiros 6 a 24 meses podem não dar retorno suficiente. #jvq

Faço notar que a “qualidade” do conteúdo não determina sucesso ou insucesso: seja bom ou mau, vinga por outras razões #jvq

Também não conheço nenhum caso de sucesso editorial na web portuguesa com menos de, vá lá, ano e meio de insistência, de trabalhos forçados #jvq

@catmagellan Já a qualidade no uso das ferramentas online, SEO incluido, e — ahamn — “entendimento social” são determinantes para o sucesso #jvq

@catmagellan Num ambiente “long tail” o entendimento do termo “qualidade” é.. .como dizer? Irrelevante.

@catmagellan Não irrelevante no sentido ético ou cultural. Irrelevante no sentido económico.

@catmagellan A “qualidade” é uma expressão elitista para a antiga incapacidade de vender tudo e qualquer coisa a todos.

@catmagellan Os media não podiam publicar tudo para todos. O papel tem um custo. O tempo de antena em rádio ou TV é muito limitado.

@catmagellan Ora, se o ambiente (chamem-lhe tecnológico, não me importo) permite vender tudo e qualquer coisa a todos, podes crer que é o que farão!

@catmagellan E a “qualidade” das “elites” é arrumada no seu lugar: a história.

@catmagellan A especialização era forçada pela incapacidade de vender, com lucro, abaixo de certo patamar.

Se o patamar é esmagado — puf! podemos produzir um bem/serviço para uma única pessoa, então claro que o faremos.

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Vanessa Quitério @vanessaquiterio @PauloQuerido obrigada Paulo, ajudas em muito nestas opiniões e lançar sempre dúvidas #jvq ( link )

Carlos Zorrinho @czorrinho @PauloQuerido Grande “Tweeturial”. Merece ser reunido e divulgado em todos os suportes! ( link )

Catarina Campos @catmagellan @PauloQuerido @czorrinho muito bom mesmo. #tweeturial (copyright @czorrinho) ( link )