Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de maio de 2010

Novas regras para o trabalho e as relações profissionais (no jornalismo)

Um incidente passado com um novo jornalista fez-me reflectir. A geração que ora entra num mercado de trabalho extremamente flexível, onde as relações com os empregadores não têm tempo de solidificar, pode tornar-se mais solidária entre si. Ou pelo menos mais leal.

As relações verticais perderão importância? Não estou certo, mas parece-me que sim (a reflexão é essa). Desde logo, porque em grande medida não chegam a estabelecer-se. Não passam de vínculos contratuais.

Num quadro assim, as relações entre trabalhadores dos mesmos ofícios ou similares sobressaem. Até porque se forjam na maior parte dos casos em ambientes diferentes do que antes sucedia: a confraternização entre pares passou da cafetaria ou da Redacção, onde se fazia o grosso dos novos conhecimentos e da socialização, para as redes sociais, onde hoje conhecemos grande parte, senão a maioria, das pessoas, em especial as com quem temos afinidades, incluindo as da profissão.

O incidente deixou-me a reflectir. Há 10, 20, 30 anos a troca de palavras não teria tido lugar: a lealdade do jornalista mais novo iria para a marca que o abriga e não se incomodaria em dar cavaco ao camarada. Assumiria, se fosse preciso, um choque. Mas agora não lhe passou tal coisa pela cabeça. O que lhe passou pela cabeça foi esclarecer um possível mal entendido entre (de alguma maneira) pares, blindando com grande profissionalismo a passagem de informações que pudessem ser consideradas pertinentes num eventual conflito de interesses entre marcas de jornalismo antagónicas.

Sem colocar em causa o vínculo, para mais recém-adquirido, o jornalista cuidou de manter aberta e limpa a porta da relação com o seu par.

Espero que seja uma tendência e não um caso isolado, mas será pensamento positivo da minha parte? Que tendes a dizer, caro leitor?