Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de agosto de 2008

O desapontamento dos blogues de futebol

Ao dar uma volta prolongada sobre blogues de futebol sou tomado pelo desapontamento. É verdade que nalguns deles se escreve bem. Também li bloggers que sabem de futebol o suficiente para que os seus posts tenham interesse. Mas o que sobra no fim é a convicção de que todos eles gostavam era de escrever crónicas de futebol em A Bola ou Record e ser enviados especiais aos treinos na Luz e Alvalade.

Não que eu tenha alguma coisa contra. A ambição é legítima e, em alguns casos, justificada.

A estereotipação é demolidora. Bem sei que o jornalismo em torno do desporto, e do futebol em particular, se presta ao estereótipo do “é difícil mas vamos ganhar”. Mas da mesma forma que os Erikssons, Mourinhos e Flores acontecem de vez em quando para renovar o tecido futeboleiro e refundar o interesse pelo jogo, evitando que caia numa bocejante formulaumsização em que tudo é previsível e a grande excitação se resume a esperar por um acidente, também houve Gazeta dos Desportos, também houve o suplemento de desporto do Expresso, também houve o Record do virar do século (falo dos pólos de modernização do jornalismo sobre desporto que conheci de perto, os 2 primeiros por ter participado, o terceiro por ter observado).

E quando o estereótipo ataca a máquina geradora de casos — um papel reservado, ainda, ao jornalismo –, do veículo propulsor de conversas que é a web social não se pode esperar grande coisa.

Não vejo uma ideia nova, uma apresentação inovadora, um opinador que desponta e salta a barreira para os jornais, uma forma diferente de apresentar o debate. Raros projectos rompem este espartilho de rigidez formal. Só se vê cópia, nenhuma originalidade. Talvez esteja tudo bem para a plateia e só eu sinta este desapontamento, só eu esperava a pedra no charco, o choque, as convicções fortes capazes de, pontualmente, colocar os agendeiros dos jornais em sentido — como se vê acontecer na blogosfera da política, que peca também pelo confrangedor seguidismo em relação ao jornais, mas pelo menos apresenta uma combatividade e capacidade de choque maiores.