Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de setembro de 2009

Tentações (e a última a que não resisti)

MGB_GT_GreenSou uma pessoa simples e já tive tempo de me deixar tentar pelas tentações das pessoas simples, como a comida picante, a doçaria do Sul e as motos japonesas.

Do passado sobrou quase nada. Confesso que se tivesse garagem e dinheiro dispensável, deixava-me tentar por um dos dois automóveis com que sonhei desde miúdo até hoje: hesitaria entre um MGB GT e um Jaguar E, ambos estimáveis veículos de quatro rodas que marcaram os anos 60 e me nortearam o gosto em matéria automóvel.

Simples, como vêem.

O meu presente tem tentações eventualmente um pouco estranhas de entender.

Um emprego na Google tentava-me. Que digo?, uma viagem guiada ao Googleplex tentava-me! Trocar o meu MacBook com 3 anos pela versão mais actual, eis uma tentação do diabo – um diabo chamado Steve Jobs, que tem o desplante de criar produtos não apenas apelativos como funcionais e estupendos.

Resisto à tentação de explorar melhor as capacidades de cloud computing da Amazon, nomeadamente instalando uma “servideira” topo de gama que aguentasse com a centena e meia de sites que giro. Fico-me por uma instância pequena, para manter-me informado mas também para resolver os problemas de picos de tráfego que o dossiê do Público para as eleições suscita.

Uma tentação a que não resisti? Comprei um iPhone. Surpreendeu-me positivamente – o que é difícil para qualquer gadget, ainda por cima um que carrega tanto hype (Jobs é um feiticeiro do marketing, tanto como dos produtos bem feitos). É não apenas um telefone simples e competente: é uma máquina de comunicação multimeios e um leitor de informação multimedia, com um interface ergonómico que acertou comigo à primeira.

Aliás, as tentações da Apple têm esse senão: gastam-se depressa. Uma vez esvaziado o impulso de posse, rapidamente se tornam em nossas aliadas, poupando imenso tempo e esforços (e dinheiro em anti-vírus). Uma desilusão para quantos gostam de passar parte do seu dia de trabalho a lutar contra as máquinas e os programas.

(Escrito para o Semanário Económico, aqui há tempos)