Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de novembro de 2008

A mudança chegou aos EUA: change.gov

Devo dizer que não andei propriamente atrás da fanfarra eleitoral de Barack Obama (*). Tirei o figurativo chapéu ao homem apenas hoje — depois de ver a página que aqui mostro em imagem, sita no endereço change.gov.

Isso mesmo. 24 horas depois de ter sido eleita, a dupla Obama-Biden começou imediatamente a trabalhar. Só no dia 20 de Janeiro assumirá funções de liderança da nação mais conhecida do mundo. A “inauguração”, como se refere no site. Mas no dia seguinte já está a indicar ao mundo o que planeia fazer. não se trata de promessas eleitorais, mas sim de uma carta de intenções.

Ou, usando a terminologia de Obama, “the agenda”.

“The agenda” destaca: revitalizar a economia; por fim à guerra no Iraque; garantir o sistema de saúde para todos; proteger a América (o conceito mais lato) e renovar o liderança americana no planeta (a intenção mais improvável de concretizar).

Para mim, ver este site significou a confirmação de que a relação de Obama com a Internet não se limitou ao marketing eleitoral — só por si espantosamente bom. Não. Ele usa efectivamente as “novas” tecnologias de comunicação. E efectivamente, aqui, não é força de expressão ou floreado: tal como o seu site de campanha já tinha mostrado, Obama (ou a equipa dele, o que é a mesma coisa) sabe o que fazer com um computador e uma rede digital povoada por milhões de pessoas, uma fatia significativa das quais (os mais jovens) é nativo da rede e já nem usa os meios de comunicação de massas “tradicionais” (arcaísmos).

Em muitos sentidos, de Obama espera-se uma lufada de ar fresco na governação. A ver vamos. Mas no uso dos media reticulares, já vimos o sinal. No dia seguinte lança um domínio novo e a respirar boas intenções, debaixo de um top level domain reservado ao governo americano — change.gov.

(* Admito que Obama tem o tipo de carisma que dá imenso jeito a um país mergulhado no mar de problemas como é a América. Se eu escolhesse, entre ele e McCain escolhia certamente Obama. Embora com alguma pena: McCain é, também, um homem invulgar e à altura do cargo.

É engraçado ver agora a direita portuguesa (e não só) começar já a oposição uivante a Obama. Nomeadamente com o argumento da expectativa que, segundo alguns profetas, estará demasiado alta. Não concordo. Pelo contrário, a fasquia está muito baixa. Está onde a deixou o pior presidente americano de que os meus 48 anos têm memória. As comparações serão feitas não pela cor dos olhos, ou pelo grau de intelectualismo dos discursos, mas entre os resultados da governação de Barack Obama e o que produziu a governação de George W. Bush. A expectativa é de que faça melhor que este. Aqui só para nós que ninguém nos ouve, não me parece façanha nada difícil. Obama parece homem para ir até um pouco mais longe.)

Versão de arquivo, original publicado inicialmente no Expresso Multimedia.