Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de junho de 2012

Alemanha, o eucalipto da União Europeia e da zona euro

A Alemanha está a crescer como o eucalipto da União Europeia e da zona euro.

A economia alemã está a atrair as classes médias laborais dos países da UE.

A visão económica e financeira alemã está a sobrepor-se a todos os parceiros da União. E já terá ultrapassado o ponto de não retorno da democracia europeia, tendo substituído de facto a política económica comum.

Os bancos da Alemanha estão a sugar e concentrar os recursos financeiros que antes iam alimentar a rede nevrálgica da produtividade nas economias da zona euro. A elevação dos juros da Espanha — que para as contas da zona euro não é insignificante como os anteriores países sucumbidos ao torniquete dos mercados — veio acelerar o movimento.

Algumas destas tendências já existiam, num estado latente, antes da crise sistémica do sub-prime de 2008 que detonou a crise da dívida pública na Europa.

A correção pela Segunda Guerra Mundial do erro histórico do nazismo deixou a Alemanha quebrada e adiou o cumprimento do seu destino.

Um gigante não se abate facilmente. A reunificação forneceu ao eucalipto alemão o suplemento de seiva que lhe faltava para crescer acima da mediania circundante. Era uma questão de tempo até um pretexto — uma crise sistémica — desequilibrar a frágil balança da União a favor do mais forte.

Enquanto as elites europeias não se entenderem quanto ao problema e não tomarem medidas contra a monocultura, a Alemanha crescerá como o eucalipto da Europa Unida, secando tudo à sua volta.

De um ponto de vista meramente individual, é indiferente ser chamado “português”, “europeu” ou “alemão” (no meu caso já curei a ferroada do nacionalismo faz tempo). Mas o orgulho das nações ainda anda por aí. Logo, o melhor é os seus representantes fazerem pela vidinha.

Adenda: vozes dizem-me que o problema não é a nacionalidade: está na qualidade de vida. Um “alemão” da periferia ibérica não terá a mesma qualidade de vida de um “alemão” da Baviera. Pois não. Mas as diferenças já existiam e não se esbateram. Pelo contrário, o movimento do capitalismo tratou de as agravar com o tempo. Noutras paragens que optaram mais cedo por algum tipo de unificação, ou federalismo, nomeadamente nos Estados Unidos da América, a geografia também causa diferenças de qualidade de vida.

É a vida. Mas ao menos é.