Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

26 de maio de 2011

Bem, vamos lá às contas para dia 6 de Junho

Bem, vamos lá às contas para dia 6 de Junho. Então é assim.

Tendo em conta as sondagens e a evolução dos seus resultados ao longo dos últimos meses e dias, são consensuais três pontos fundamentais:

1. é altamente improvável que algum partido obtenha uma maioria absoluta;

2. regista-se um empate entre os dois partidos com hipóteses de vencer as eleições;

3. há uma grande percentagem de indecisos que baralha as estratégias de campanha e garante uma elevada incerteza sobre a margem que diferenciará o mais votado e o segundo partido.

Ou seja: um governo que não seja de coligação está fora de causa. Mesmo que à boca das urnas os indecisos acabem por aumentar a margem do vencedor, o contexto excepcional em que vivemos, por força do clima de incerteza e de permanente instabilidade em que o mundo ocidental mergulhou em consequência da crise do sub-prime e dos colossais roubos financeiros de que Bernard Maddoff é a bandeira, aconselha um poder político legitimamente reforçado.

Acresce que Portugal vive há muito tempo numa espécie de protetorado da União Europeia, praticamente formalizado há mês e meio com a intervenção do FEEF/UE/FMI suscitada pela crise política que não foi possível evitar.

Disto mesmo deram repetidos avisos figuras de várias dimensões, a começar pelo Presidente da República.

Vamos então aos

Cenários e contas

1. Ganha o PSD.

Possibilidade lógica: um governo PSD/CDS. Será um governo fraco, incapaz de resistir na Assembleia da República mal passe o estado de graça e o PS se reorganize.

Prazo de validade: 9 meses a 1 ano.

2. Ganha o PS.

Possibilidade lógica um: um governo de bloco central, PS e PSD. Será um governo forte externamente, quer na AR, quer perante o protectorado, quer ainda perante os representantes dos credores, as agências de notação financeira.

Prazo de validade: dependendo do tempo que demorar a desmoronar-se internamente, isto é, de os principais representantes perderem a confiança um no outro, pode durar entre 2 anos e, no melhor dos cenários bem intencionados, uma legislatura.

Possibilidade lógica dois: um governo PS/CDS. Será um governo com fôlego mas pouco convincente e sujeito a desgaste rápido.

Prazo de validade: 6 meses a 1 ano.

Possibilidade lógica três: Bloco Central (Alargado), PS + PSD + CDS. O governo mais forte que os portugueses poderão esperar. Seria o alívio do PR e da UE (e, vá, para os credores; só as agências de notação ficariam desiludidas pois perderiam oportunidades).

Prazo de validade: entre 18 meses e 3 anos, se tudo correr muito bem.

Mas e Cavaco? + 2 perguntas

Mas e Cavaco não adoraria ter um governo PSD/CDS, ao qual poria a mão por baixo? Eventualmente. Mas se isso podia contrabalançar os efeitos da oposição na AR, amortecendo um pouco o desgaste e garantindo um canal de escoamento rápido das políticas favoráveis aos interesses dos maiores empregadores, por outro lado mereceria a desconfiança atenta dos representantes internacionais. Uma coisa anularia a outra.

Porque durará menos este BC(A) do que o BC? Porque será mais complicada a gestão interna de três sensibilidades.

Porque não se colocam os cenários BC(A) ou BC se o PSD ganhar? Porque o PSD, que terá justamente a primazia, tem dito, mantido e repetido que não governa com o PS.

Gostemos ou não gostemos, é isto que vai a votos.