Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de julho de 2009

#Blogconf 1: o webcast

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Primeiro de uma série de artigos sobre a #BlogConf, na perspectiva do organizador.

O webcast. Na minha perspectiva, a falha do webcast está empolada. Por três ordens de razão, duas orgânicas, uma de profissionalismo político. Já lá vamos.

Começo por referir que o webcast era secundário. Na primeira versão nem existia; foi adicionado depressa, porque era (teria sido) efectivamente uma mais valia. Mas era isso: uma mais valia.

Na origem a BlogConf era uma conferência para bloggers, um formato decalcado das conferências de Imprensa mas adaptado ao meio reticular, cuja importância na comunicação, na informação e na formação de opinião é cada vez maior. A difusão em directo traria duas vantagens: levaria a conferência a mais públicos (incluindo os jornalistas nas Redacções, curiosos ou com este serviço marcado em Agenda) e abria-a ao debate em directo, indo ao encontro da apetência das pessoas pela difusão comentada, como comprova o sucesso das conversas públicas dos debates quinzenais na Assembleia da República.

Debates esses em que o próprio deputado Jorge Seguro, primeiro instigador da BlogConf, se envolveu com paixão; debates esses que também eu segui, e reforçaram o meu interesse pelo discurso político (já existia, mas de forma mais errática).

As razões, Paulo Querido, as razões.

Bem, desde logo os jornalistas criaram imensa expectativa pelo directo. Compreendo. O site de campanha destacou o webcast. Os títulos isolaram o webcast. Era a forma de acompanharem a conferência que, pela primeira vez, não os tinha como alvo. Razão orgânica, portanto.

A outra razão orgânica é a dos twitterers. Estão habituados a ter material informativo directo para debicar, isolar, debater, conversar, retransmitir, verificar. A nata desse material é, regra geral, um video. Nem todos os acontecimentos, incluindo os de escala planetária, têm transmissão video ao vivo. Muitas vezes há também imagens. Enfim — material. E tinha-lhes sido dito que esse material ia chegar. Não chegou. Desiludiram-se.

Acresce que a transmissão de twitts de dentro da sala foi também ela desapontadora. Sei por experiência própria que não é nada fácil prestar atenção a um orador e ao mesmo tempo “twittar”. É preciso encontrar o jeito. É necessária alguma disponibilidade. E naquela sala boa parte dos poucos twitterers experientes e batidos estavam ocupados demais com os detalhes para prestarem ao discurso a atenção necessária, que não é pouca, para isolar as frases-chave e as retransmitir, sem perder o fio à meada.

(É isto que fazem as pessoas que “twittam” conferências.)

Com mais twitterers dentro da sala, com mais fotos, teria existido mais alimento de conversa. A razão é, portanto, compreensivelmente orgânica.

A razão de profissionalismo político está bem patente no tom e na habilidade selectiva dos bloggers (e também editores de folhas partidárias) que cuidadosamente, ou nem por isso, enfatizaram todos os aspectos da iniciativa por onde pudessem pegar, desvalorizando os aspectos de sucesso. Sentem ser essa a sua função e cumprem-na. Nada de mais e o zelo fica-lhes bem. A falha do webcast salvou-lhes o dia