Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de julho de 2009

#BlogConf 3: o formato

O formato. Francamente, acho um sucesso. Uma conferência aberta, de inscrição limitada apenas pelo espaço, é mais adequada para acções informativas — as minhas favoritas e as que considero mais úteis para todos. Por oposição, as conferências fechadas, para apoiantes, são mais adequadas a sessões propagandísticas — e as de que não gosto, e que considero somente úteis de um ponto de vista instrumental da comunicação.

Recuperando analogias da política, a BlogConf é a vantajosa herdeira das sessões de esclarecimento, enquanto as reuniões com apoiantes e blogo-atiradores equivalem a comícios com sermão, liturgia e cânticos.

Os problemas do formato são dois, ambos corrigíveis. A montante, é preciso cuidado na inscrição, ou na definição, dos participantes. Com a Comunicação Social é fácil: o número é menor, a estrutura é rígida e as marcas, conhecidas. Por oposição, na rede é difícil: o número é GIGANTESCO (e pior, hipersensível a qualquer tipo de exclusão, a começar pelo termo), a estrutura é fluída e as marcas, na sua maioria, desconhecidas.

Optei por inscrição livre, limite por ordem de inscrição (a escolha do wiki teve também a ver com a facilidade dos timestamps, automáticos, e com a sua transparência, uma vez que todas as alterações, e quem as fez, são visíveis por toda a gente); a difusão em primeira mão pelos círculos próximos (distribuição viral, portanto) dava alguma garantia de não exclusão de blogs “emblemáticos”, ao mesmo tempo que não favorecia nenhum em particular e permitia aos mais interessados dos “não-emblemáticos” inscreverem-se.

A parte a montante correu bem. É melhorável: aquele software de wiki é demasiado simplista, por exemplo, e é preciso uma alternativa, pois que reparei, com surpresa, que cinco anos depois do boom uma parte substancial dos autores web continua a não ter uma competência hoje básica: editar uma página de wiki. Se voltar a fazer uma destas, tomarei isso em conta.

A jusante o problema está na quantidade de participantes e perguntas.

Com profissionais de conferências informativas — com jornalistas — teríamos concluído a ronda de 20 perguntas dentro do tempo calculado: hora e meia, hora e três quartos. Com bloggers, foram mais de três horas, perto de 4. Porquê?

Sentem-se: o problema esteve menos nos bloggers e mais em José Sócrates!

Ao contrário do que é tradicional neles (apresentam em regra apetência por longas dissertações antes de perguntas triviais) os bloggers na BlogConf foram sucintos e rápidos. Mas foram também… pacientes. José Sócrates tem experiência de tribuno e gosta genuinamente do debate político. Entusiasma-se — e aí vai ele, lançado nas explicações ou entusiasmado nos projectos. 20 jornalistas teriam começado a levantar-se da sala, a olhar para o relógio, orelhas a arder dos berros do chefe, ao telefone. 20 bloggers tinham tempo e estavam a fazer história: ninguém arredou pé.

Conclusão: é necessário doravante levar em consideração as características do sujeito inquirido e balançá-las com o número de perguntas, sob pena de a sessão se prolongar demais. Uma alternativa, suponho, é prever um curto intervalo (como às vezes acontece nas audiências da AR).