Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de maio de 2010

Coisas que irritam: receber uma “newsletter” comercial não solicitada com “notícia” de há um mês

Se há coisas que irritam, uma delas é ter na primeira leva de correio matinal uma “newsletter” não solicitada com notícias de há um mês a embrulhar o comercial peixe. E saber que os deputados europeus gostam que assim seja e a União mantenha a inacreditável e anacrónica legislação de opt-out que só protege os scammers e spammers, borrifando-se nos cidadãos.

Uma tal “Clínica Informática” redigiu e expediu o seguinte mimo:

O porquê da nossa Newsletter ?

A Clinica Informática iniciou uma nova etapa na sua carreira, começando por inaugurar a sua loja online com milhares de produtos e um serviço de newsletter com um formato que julgamos ser interessante, ao qual poderá Subscrever.

Assim, em todas as nossas edições teremos noticias e novidades do mundo tecnológico nas suas diversas áreas, para que esteja sempre a par das formas de rentabilizar o seu negócio em altura tão dificil como esta que estamos a atravessar.

Noticias !!

E a “noticia” tem mais de um mês.

A tal “Clínica Informática” decidiu incluir à força um endereço de correio meu na sua newsletter julgando que a proteção legal sancionada pela União Europeia a isenta de responsabilidade nessa atitude de violação e invasão da minha esfera pessoal.

Pois fique a “Clínica Informática” a saber que lhe fica muito mal. Há cidadãos que, como eu, colocam automaticamente um filtro no mail que se encarrega de despejar no lixo a vossa tralha não solicitada, sem sequer a ler. Afinal de contas, e respeitando a mesma lei que VOS protege, à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer.

Não carregarei em botão nenhum para acção alguma: a responsabilidade da inclusão do meu endereço foi VOSSA e eu não a partilharei seja de que forma for — nem sequer premindo um botão para “sair”, de cujos efeitos duvido desde logo, tendo em conta a vossa aproximação despudorada.

Nem sequer vos direi que mail meu é que usaram para me incomodar — trabalhem, ou paguem, se já o fizeram para o obter, podem certamente fazê-lo de novo. Não contarão com a minha boa vontade porque eu não tenho nenhuma boa vontade para convosco.

Queridos deputados europeus: poderão os cidadãos sonhar com uma revisão da Diretiva 2000/31/CE — conhecida por lei de protecção dos spammers?