Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

6 de junho de 2008

"Derrota do PS em 2009", expressão usada pela primeira vez

Português:A edição de amanhã do Expresso apresenta um dossier sobre “os trabalhos de Sócrates” e a expressão “derrota do PS em 2009″ é usada pela primeira vez de forma consistente, numa preocupação atribuída a “militantes do PS”.

O teaser de João Garcia diz o seguinte:

A pouco mais de um ano das eleições legislativas, o xadrez político português mudou. Manuela Ferreira Leite foi eleita presidente do PSD e levou a que, pela primeira vez, um Presidente da República fizesse questão de felicitar em público um líder partidário pela sua eleição; Mário Soares lançou avisos ao Governo e ao PS apelando ao regresso aos valores da esquerda socialista; Manuel Alegre juntou-se ao Bloco de Esquerda e a outras personalidades ‘gauchiste’ num comício contra o Governo.

As contas que saíram furadas a José Sócrates conduzem a que os resultados prometidos no início do exercício governativo não surjam. Talvez por isso, haja a convicção de que a renovação da maioria absoluta é cada vez mais uma miragem e exista medo crescente, entre os militantes pró-governo, de que em 2009 as eleições possam marcar a derrota do PS.

Pelo meio, José Sócrates teve que enfrentar a terceira moção de censura da legislatura, mais uma grande manifestação convocada pela CGTP e a greve – entretanto suspensa – dos pescadores por causa dos preços dos combustíveis.

A somar aos inúmeros problemas internos, há ainda alguns factores que Sócrates tem que gerir, mas que não é capaz de controlar, ao contrário do que está habituado: a crise do subprime, o aumento do preço do petróleo ou a crise dos cereais.

Como vão, José Sócrates e o PS, jogar as pedras decisivas durante o próximo ano, para chegar a 2009 com uma dinâmica de vitória? Que papel terá o Presidente da República? Estarão Manuel Alegre e o BE dispostos a apostar tudo numa frente de esquerda mesmo que isso implique sacrificar eleitoralmente o PS em 2009? Haverá ainda espaço para Alegre dentro do PS? São perguntas a que tentaremos responder na próxima edição do Expresso.

Não tenho a certeza que as contas tenham realmente saído furadas a José Sócrates. Ou melhor: quais contas.

Está ainda por confirmar se Manuela Ferreira Leite leva o PSD a constituir uma ameaça política a este governo. Não se vê muito bem como, mas a presidente do PSD tem direito ao seu estado de graça.

Quanto a Manuel Alegre: o comício não foi certamente combinado com o secretário geral do PS, se o fosse revelaria algum brilhantismo da parte deste, no que toca a estratégia. Produzido na semana em que Ferreira Leite tomou conta do barco, o comício atraiu o que sobrou dos holofotes que os MSM enviaram para a Suiça, para a cobertura do Europeu.

Isto é, reduziu o espaço mediático, que é finito, para Ferreira Leite.

Se eu fosse um estratega da esquerda, faria o que estivesse ao meu alcance para canalizar o eventual descontentamento popular para forças e símbolos do meu lado da bordada.

Em 2009 basta a Sócrates guinar o barco ligeiramente para a esquerda — e as massas estarão lá, incluindo as descontentes, devidamente federadas.

Na escala de prioridades políticas do PS, em primeiro lugar destacado deve figurar o item “evitar o crescimento do PSD a todo o custo”, em segundo lugar “reduzir ao máximo o impacto do crescimento do PSD” e só em terceiro lugar a gestão dos affaires gauchistes.

Agora que há contas que escapam completamente ao controlo do Primeiro Ministro, há. As contas da economia.

E como nem os economistas, a começar pelos presidentes dos bancos, controlam mais a economia, o exercício da governação fica ainda mais complicado. Navega-se à vista, não há outra hipótese.

Chegou a hora de pagar a factura do estrondoso falhanço político dos anos 80 e 90 no capítulo da energia.

Zemanta Pixie