Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

12 de setembro de 2008

Desastre eminente na direita

Segundo o Expresso de amanhã, parece eminente um desastre na direita:

Os caminhos cruzados de Manuela e Paulo

Na abertura do ano político, vivem-se no PSD e no CDS sentimentos semelhantes: são poucos ou nenhuns os que acreditam no bom desempenho eleitoral da direita nas eleições do próximo ano.

Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas estão por isso cada vez mais isolados dentro dos respectivos partidos. No PSD, há quem sublinhe que a actual liderança faz a síntese entre o que de pior tinham Marques Mendes e Luís Filipe Menezes.

No CDS-PP, o clima é ainda mais agreste. Após a ruptura de Nobre Guedes e o afastamento cada vez maior de Pires de Lima, Paulo Portas é um líder cada vez mais sozinho. O presidente do CDS-PP terá, pela primeira vez, que enfrentar eleições sem os seus dois principais apoios internos, e há já quem antecipe, que Portas pode não resistir à pressão de notícias sobre processos judiciais que envolvem o CDS. Uma coisa é certa, nos dois partidos é cada vez maior a convicção de que o próximo ano eleitoral será desastroso para a direita em Portugal.

Dois líderes sós, arrogantes e convencidos, com apoio deficiente ou mal apoiados, de uma tribo política desnorteada pelo longo afastamento das benesses do Estado e que assiste, incapaz de reagir e de se refundar, às mudanças sociais e económicas num mundo que as suas elites teimam em não compreender ou aceitar.

O pragmatismo dos líderes da esquerda, que mais depressa viveu o ritual de passagem para o século XXI (que apenas começámos a trilhar) e está mais preparado para a mudança, é nesta altura mais adequado para enfrentar uma crise económico-financeira e de gestão de recursos como não há memória nas gerações viventes.