Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

19 de setembro de 2008

Irracionais e mimados

Eh, pessoal, os Estados bancam a cena! Bute lá continuar a jogatana! — É assim que escuto as notícias que me chegam sobre o comportamento das bolsas na sequência do anúncio da intervenção estatal sobre a finança americana, em risco de fazer colapsar o sistema financeiro e provocar danos económicos de amplitude desconhecida, capaz, até, de provocar uma mudança de regime.

Esse comportamento é irracional e digno de miúdos mimados, a quem os papás aparam todos os golpes.

É neste exacto enquadramento que ouço na televisão António Borges — um reputado financeiro — dizer que a seguradora podia não ter ido à falência, que tinha tido interessados em comprá-la antes, mas que os accionistas não deram cobertura às propostas do management.

Traduzindo: a posição de António Borges é de passar uma esponja sobre os actos da equipa de gestão responsável pela trágica evolução dos colossos americanos que mergulhou a economia mundial na incerteza nos últimos 12 meses. Provavelmente, ainda os acha credores de (mais) um prémio milionário.

Não viria daqui incómodo algum — não se desse o caso do mesmo António Borges ser vice-presidente de um partido português com aspirações a governar.

Tenham medo.