Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de novembro de 2008

Meritocracia e espalhafatocracia

É relativamente comum, ao mais alto nível da infoesfera lusitana, ver a confusão entre o mérito e a celebridade. Os nossos estrídulos media tendem, sobretudo em época de vacas magras, a recorrer ao sucesso imediato e fácil: relevar as suas celebridades e convidar os meritórios ao desemprego. Do what you do worst, fire the rest.

Nunca fomos uma meritocracia — mas nunca, como hoje, o mérito foi um valor tão em baixa, é quase um anátema. O sector dos líderes de opinião é um notável exemplo da espalhafatocracia em que caímos. A vaidade, senha de entrada para o celebrariado, não é boa conselheira das sociedades.

If the celebritariat really does play a role in legitimising economic inequality, it is also because ordinary people imagine that they, too, could become members. A YouGov poll of nearly 800 16-19-year-olds conducted on behalf of the Learning and Skills Council in 2006 revealed that 11 per cent said they were “waiting to be discovered.” (Lulled by the celebritariat, Toby Young para a Prospect, via Vasco Campilho)

Vale que uma nova geração de talentos para a opinião está a emergir dos viveiros da publicação web (vulgo blogosfera). Nem todos fazem o meu estilo — mas despachem-se, é o meu apelo.