Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de março de 2009

O mais social dos congressos

congressops-p

O congresso do Partido Socialista que decorreu em Espinho foi o mais social de quantos congressos partidários já se realizaram em Portugal. Social de redes sociais, entenda-se. A cobertura dos cidadãos, armados em jornalistas ocasionais ou nem por isso, terá mesmo ultrapassado a dos órgãos de comunicação.

Escrevo “terá” por precaução. Por um lado é difícil contabilizar estas acções de forma objectiva. Os minutos de televisão podem ser contados e o espaço nos principais jornais também — mas da rádio em diante, passando pelos jornais locais e terminando na rede, fica muito difícil rastrear numericamente as intervenções. Por outro, não estive lá e obtive números apenas aproximados. Apurei que entre jornalistas e bloggers — ou, como prefiro em casos de cobertura de eventos, profissionais e não-profissionais — acreditados, o número esteve entre os 50 e os 65. Sendo que a fatia dos não-profissionais está entre um quarto a um terço desse número.

Importa também que a cobertura dos não-profissionais já deixou a era da novidade, em que dois ou três pioneiros iam para os congressos sobretudo falar sobre si próprios e a importância de lá estarem. A rivalidade provocou não diria maior isenção, mas mais rigor e atenção aos pormenores.

Acresce ainda o impacto, sentido pela primeira vez neste congresso do PS, das redes sociais. As primeiras reacções que li sobre a surpresa Vital Moreira foram… no Facebook, de pessoas que o conhecem desde os tempos do Partido Comunista.

Mas a novidade maior é mesmo o Twitter. Pelo menos 155 pessoas escreveram activamente sobre o Congresso, uma boa parte das quais, como se depreende das conversas, o fizeram a partir do pavilhão. Ou seja, um número de cidadãos não acreditados observou, comentou e analisou os trabalhos, reportando para as suas audiências — dispensando completamente a intermediação dos órgãos de comunicação social que antes monopolizavam a cobertura directa, a cobertura informativa e até a cobertura analítica e opinativa.

Reforçando a independência: seguindo a emissão web no site do próprio partido, lendo os comentários em directo do pavilhão e as análises em diferido nos blogs, a completa cobertura do congresso pode ser operada sem o recurso a um único órgão tradicional e nem mesmo aos portais agregadores de conteúdos, que em Portugal souberam roubar as audiências naturais dos jornais.

E não estou a falar de um cenário hipotético ou futurista, mas do que aconteceu este fim de semana em Portugal, usando as redes sociais e ferramentas de distribuição de conteúdos acessíveis a qualquer pessoa.

Voltando ao Twitter, que é peça central disto: organizados ad-hoc em torno de uma simples expressão, #CongressoPS (o cardinal é a forma encontrada pelas pessoas para formar as hashtags, mecanismos de seguir assuntos tão simples quanto poderosos), jornalistas profissionais (incluindo 1 director de 1 diário), bloggers presentes no congresso, congressistas, ministros, políticos e cidadãos interressados ou ocasionais construíram um ambiente relativamente formal de divulgação de informação, debate, análise e até algum calor já erradicado dos media convencionais. E embora eu tenha centrado a minha atenção na tag #CongressoPS, esta não foi a única tag — e muitas pessoas nem sequer as sabem, ainda, usar. (“Ensinei” 3 ou 4 congressistas a fazê-lo no sábado.)

Não se pense que essa comunidade só funcionava em circuito fechado. O Twitter serve, isso sim, de plataforma mínima e rápida, cujas mensagens puderam ser lidas nos vários blogs (como o meu) que quiseram retransmitir o debate em tempo real, e que dispararam em todas as direcções, dos blogs ao Facebook passando pelas televisões (foi a TVI24 que lançou a hashtag #CongressoPS, aliás) e jornais.

Não foi certamente apenas do meu posto de observação que este congresso foi seguido quase exclusivamente pela Internet e, dentro desta, através dos canais das redes sociais, que não dos agregadores convencionais (e insípidos).

Top 10 mais prolixos

Da lista, fixada às 22:15 de domingo, dos 10 twitters mais activos sobre o congresso, conto 1 jornalista, 1 congressista do PS e dois bloggers acreditados.

@jovemsocialista 200

@tiagoms 63

@goncalovaz 62

@CatPereira 49

@vascocampilho 49

@designerferro 40

@jota21 39

@mfrancopt 39

@Diz_se 36

@G_L 36