Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de março de 2008

O poder caído na rua, brrrrr

fat_cat.jpgO protesto dos professores teve uma peculiaridade curiosa. Informalmente suportado em estruturas de organização popular profissionais, vulgo sindicatos, dos dois lados do espectro partidário, teve um líder partidário a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e alérgico a elas e às manifestações “de rua” a atirar-se para as câmaras apoiando o protesto (é como ver um alérgico a gatos a afagar um bichano ao colo).

Teve os interessados em derrubar o governo, ou pelo menos em machucar-lhe a “imagem”, a apoiar o poder da rua — o cúmulo do ridículo atendendo a quantos desses guerrilheiros de poltrona nutrem pelo poder da rua um profundo asco, repetido com indisfarçável orgulho de “classe” noutras ocasiões.

Estes ridículos são proporcionais ao impacto da acção do fim de semana em Lisboa levada a cabo pelos professores. É por isso de louvar que vozes atentas os coloquem em perspectiva. É bom lembrar à direita convenientemente convertida ao poder da rua e súbita entusiasta dos sindicatos as palavras de Vital Moreira no Causa nossa; vamos lá “[...] saber quem governa: se o Governo eleito ou a oposição, se os cidadãos eleitores ou uma classe profissional na rua.”

Ficamos à espera de ver surgirem — já agora, também em prime time — em Portas e na direita que “desceu à rua”, num fim de semana “diferente”, os pruridos, edemas e finalmente a dispnéia, altura em que as câmaras podem, com pudor, retirar-se.