Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de maio de 2008

O que Pedro Santana Lopes tem

Pedro Santana Lopes tem um passado. Tem um passado difícil de apresentar aqui e ali — mas tem um passado. Tem um passado a disputar eleições. Tem um passado a ganhar eleições. Tem um passado partidário sem paralelo em Portugal. É um dos mais combativos políticos portugueses, talvez o mais combativo.

Eu, que não sou filiado no PSD, se fosse, hesitava em dar o meu voto a este homem ou a Passos Coelho.

Talvez acabasse por me virar para PSL.

Tem uma experiência acumulada notável — e eu sou como Bill Gates, que nos tempos áureos da Microsoft ia recrutar altos quadros às empresas que iam falindo, o que deve ser levando em conta nesta altura em que a empresa trava uma luta.

Em quem eu não votaria, certamente!, era em Manuela Ferreira Leite.

Não por falta de simpatia — simpatizo mais com ela do que com os dois supracitados. Ou pelas suas evidentes qualidades apreciáveis em qualquer político, incluindo os dois supracitados: discurso rectilíneo, preserverança, ideias fixas.

Mas MFL representa o lado do PSD que a sociedade portuguesa, eu incluído, tem vindo a recusar: o lado “baronil”, uma visão da política democrática que é no mínimo redutora. A política de salão, onde um grupo mais ou menos homogéneo discute / distribui entre si o que houver na mesa, apresentando depois os cozinhados para a legitimação dos congressistas, eles próprios previamente engajados em “exércitos” de “barões” e de tendências.

Esta visão da política fez sentido, posso admitir, num determinado período histórico. Mas esse ciclo já se fechou. O ciclo das figuras encerrou-se com o terceiro lugar de Mário Soares nas directas do Partido Socialista. O Partido Social Democrata também vai, finalmente, encerrar o seu ciclo de figuras.

A política hoje faz-se com outro tipo de pessoas, com outro tipo de atitudes perante a sociedade. Para o bem ou para o mal, conforme a perspectiva, a verdade é que mudou.