Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de maio de 2008

"O surpreendente Passos Coelho"

Aqui há dias previ que Manuela Ferreira Leite não ganharia estas directas, provavelmente ficaria até em terceiro lugar, reservando depois noutros locais a previsão sobre como distribuiriam Passos Coelho e Santana Lopes as cadeiras restantes no pódio.

As sondagens dizem outra. Mas eu não sou um centro de sondagens, sou apenas um cidadão a emitir a sua opinião. E a arriscar pelo prazer de arriscar.

Hoje arrisco. E risco. Risco Santana Lopes, que poderá ir directo para o terceiro lugar, com MFL eventualmente a conseguir a segunda posição. Eventualmente, admito.

Ganha Passos Coelho.

A entrevista dele a uma surpreendente (pela positiva) Júdite de Sousa foi muito boa. Quanto mais o tempo passava, mais eu conseguia imaginar o desespero de MFL a ver a entrevista, e o encolher de ombros de Rebelo de Sousa, que se limitou a fazer o que dele se esperava. Isto não são eleições abertas e eu não conheço suficientemente a realidade interior do PSD (nem de nenhum outro partido) para aquilatar da permeabilidade dos eleitores aos mecanismos mediáticos do costume. Também não li, ainda, nenhum análise à entrevista. Escrevo “virgem” e escrevo isto: fiquei bem impressionado e se eu votasse laranja, estava decidido em quem.

Anterior em uma semana à entrevista de Passos Coelho, relativo ainda à entrevista de Ferreira Leite ao “nosso” semanário, este texto de João Pereira Coutinho no Expresso é ilustrativo do que me levara, desde o primeiro minuto, a desacreditar de Manuela, e mais recentemente a surpreender-me com Passos Coelho. Respigo, negritos meus:

“Entrevista” é força de expressão: uma página de silêncios não constitui propriamente um diálogo. Por cada pergunta feita, Ferreira Leite não responde, responde vagamente ou simplesmente não sabe. E até confessa que, por vontade própria, não haveria campanha. Campanha para quê, parece perguntar Ferreira Leite, que dedica à política um desprezo que só revela uma preocupante vaidade?

Exactamente o contrário do surpreendente Pedro Passos Coelho. Concorde-se ou discorde-se com a sua pueril visão “liberal”, há pelo menos algumas ideias naquela cabeça: sobre o Estado, a economia, os partidos, as questões “fracturantes” ou regimentais. Há, pelo menos, uma vontade saudável em discuti-las e testá-las.

Ferreira Leite acredita que, nada dizendo ou pensando, os portugueses irão aplaudir uma estátua. Talvez tenha razão. Mas alguém devia informar os portugueses, a começar pelos portugueses sociais-democratas, que foi precisamente esta náusea pelo baixo mundo do combate político, típico do baronato, que enfiou o PSD no seu lamentável estado. Convém não esquecer.