Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de janeiro de 2010

Passos Coelho. Provavelmente, o único candidato no PSD

A situação no “maior partido da oposição” está a clarificar-se. Pelo rumo que as coisas tomaram na semana que hoje finda, é pouco provável que haja o congresso de Pedro Santana Lopes, mas terão lugar as diretas de Pedro Passos Coelho.

Sendo mais imprudente que João Pinto, corro o risco de fazer prognósticos ANTES desse “jogo”. E declaro: Pedro Passos Coelho será o único candidato a disputar o cargo de presidente do Partido Social Democrata nas próximas eleições.

Quando digo “o único” refiro-me a “o único com possibilidades”. Ou seja, deixo em aberto a hipótese de surgir uma candidatura do género sparring partner, que preste ao partido o favor de se respeitar a terceira palavra do seu nome em troca de alguma exposição mediática e algumas contusões sem gravidade.

Ninguém vai avançar contra ele. Bastou a Passos Coelho mostrar a força — finalmente — numa entrevista televisiva. Mais do que o que disse (até porque disse alguma coisa), conta o que mostrou. Mostrou impaciência e determinação. Mostrou que não tem mais paciência para as piruetas mediáticas e os desvios passadistas. Mostrou determinação — a determinação que as “bases” do PSD, muito pragamatica e simplesmente, adoram acima de qualquer assomo ideológico ou até lógico.

Rio ainda não está para isso, Menezes tudo o que ainda deseja é vingar-se, Marcelo só faria o frete se o país, contristado, lhe pedisse solenemente e de joelhos, o país inteiro quero eu dizer, Lopes passou a vagabundear por aí sem mais consistência que a de um fantasma, contra Rangel pesa tanto a etiqueta de delfim como a sua própria falta de peso político, e Aguiar-Branco é demasiado sabido.

Cá para mim, parece-me que a palhaçada vai acabar no PSD. Veremos depois se é melhor do que a palhaçada acabar com o PSD.

(Esta última frase é a benefício de inventário, devo dizer. Há pessoas que, nada tendo a ver com o partido, acham que seria a coisa mais natural do mundo este acabar e o CDS de Paulo Portas assumir o seu lugar, confirmando-se em tendência a inversão de eleitores que já vem de há alguns anos na direita. Eu não tenho uma opinião fechada sobre o assunto, pelo que incluo a frase.)