Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de maio de 2008

Porque vai Manuela Ferreira Leite perder estas directas

Manuela Ferreira LeiteO debate político animou bastante na infoesfera nesta semana cortada a meio. Eu já tinha opinado aqui na terça-feira que Manuela Ferreira Leite vai perder estas directas e por larga margem e na quinta Pedro Lomba apresentou no DN uma argumentação que mais reforça a minha “antecipação não-ficional baseada em mecanismos de crowdsourcing” (negrito meu):

Manuela Ferreira Leite representa demasiado o passado. É a recuperação da escola cavaquista da austeridade e da recusa da política numa época que nada tem a ver com os governos de Cavaco Silva. A sua experiência governativa também está longe da perfeição: tentou sanear o défice público sem o ter conseguido, nem mesmo recorrendo à prática imensamente discutível das receitas extraordinárias. É uma continuação, não uma mudança. E é uma réplica, no estilo, nas políticas, nos valores, dos predicados de José Socrates que atiraram o PSD para os 30% das intenções de voto. Não basta ser não socialista e esperar que o mundo se prostre a nós. É preciso ser não socrático. Um PSD respeitável? E eu que pensava que o PSD era um partido ambicioso.”

Precisamente. O traço porventura mais marcante do DNA do PSD é a ambição. A ambição é também a peça ideológica madre, capaz de unir as diversas falanges, falanginhas e falangetas em que o centro-direita português se decompõe.

Pode-se ter ambição, já, não importa mais nada, como Pedro Santana Lopes, ou ambição para o futuro, vamos ver o que acontece em função do estado do Estado em 2013, como Pedro Passos Coelho vem mostrando ter. O que não se pode, é apresentar um discurso em que a ambição de poder não faz parte dos gritos de guerra, a quem no PSD vota (para desconforto de Pacheco Pereira) as lideranças: os militantes.

A moral, as boas práticas e o politicamente correcto não ganham eleições. Apesar de algumas das suas figuras internas e externas com opinião reconhecida pretenderem que não, o que se passa é que o PSD está numa guerra eleitoral aberta.

Tipo, eleições? Directas? Duh?

Tudo em C! sobre as directas do PSD, aqui.