Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de março de 2008

Professores em protesto — caro PM, é melhor sair da toca

maria_de_lurdes_rodrigues_300.jpg Comecemos por aqui: eu estou de acordo com António Ribeiro Ferreira, que no Correio da Manhã teve a melhor síntese de 3 anos de Maria de Lourdes Rodrigues: “os professores vão para a rua porque uma senhora com um saudável mau feitio [...] acabou com o Ministério dos Professores e tenta, há três anos, criar o Ministério da Educação“.

Esclarecido o meu ponto, o protesto dos professores está para além do protesto dos professores e por isso mesmo o Primeiro Ministro deve ter — espero bem — as campainhas de alarme, os mails de alerta, a corte de analistas e sociólogos e politólogos a gritar-lhe aos ouvidos que o melhor é sair da toca e fazer alguma coisa.

Tipo, uma solução?

Qual — isso é com ele, é para isso que lhe pagamos, se eu tivesse bestunto para sacar soluções destas tinha feito o tirocínio e proposto ao cargo. Parece-me que não é atirar a ministra pela borda fora, mas isto sou eu a falar.

Está para além do protesto significa que é uma bandeira — a bandeira que os professores colocam nas mãos até aqui nuas dos entalados desta saudável obsessão com a economia que caracterizou 100% das acções do governo.

Mesmo que seja corporativo e injusto em si próprio, o protesto do professores encerra um descontentamento mais profundo. É o descontentamento das classes do meio, as mais prejudicadas do ciclo económico-político que começou em 1999, no rescaldo da Expo, e que tem vindo a erodir o poder de compra e o poder social — mas não o poder político, ATENÇÃO — do miolo da sociedade portuguesa.

Esse miolo é pai, filho e aluno dos professores. É o bancário dos professores. É o dono da leitaria onde os professores tomam o pequeno almoço. É o jornalista que dá as notícias do descontentamento dos professores. É o mecânico do popó dos professores. (Segue, porque há outra ilação a tirar daqui)