Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de outubro de 2008

PSD renova site: web social chega finalmente aos partidos

O site do PSD surgiu totalmente renovado na semana passada. E para muito melhor, devo dizer. Em todos os aspectos. Foi um salto quântico e tanto mais surpreendente que passou despercebido à maioria. Um take da Lusa dá conta das boas intenções da líder do partido, nomeadamente a sua “genuína vontade de partilharmos a liberdade e a controvérsia, considerando que esse é um dos grandes contributos sociais da Internet“. Mas não teve repercussão.

A Internet não deu por isso ainda e duvido que se venha a estabelecer um diálogo real. O salto dado agora é louvável, mas não tenho ilusões sobre a falta de capacidade dos políticos instalados para lidarem directamente com os eleitores aguerridos que compõem a grande maioria dos frequentadores activos (i.e., que participam debatendo) da web social.

Mas isso não importa nesta altura. A verdade é que o PSD foi o primeiro dos partidos com história a aderir realmente à web social. E isto fora do tempo eleitoral, altura em que, manda a tradição religiosamente cumprida, os partidos se sacrificam a “descer” à procura das massas.

O PSD é o segundo partido que eu posso seguir por RSS (o primeiro foi o Bloco de Esquerda), e é o primeiro a assumir no site os canais oficiais nas redes sociais — Youtube e Flickr, para já. No canal do Flickr está já a colecção de cartazes do partido desde 1974, o que pessoalmente saúdo: é a primeira vez que consigo ver reproduções decentes e com o bónus de estarem juntas, poupando trabalho de pesquisa.

Também saúdo em particular o facto de o PSD ter feito justiça aos seus fundadores e antigos líderes. No antigo site era impossível encontrar uma simples lista das pessoas que já presidiram. E vi agora, pela primeira vez, uma foto de Nuno Aires Rodrigues dos Santos e alguma informação, ainda que curta, sobre o mais obscuro presidente do partido. Este membro da Maçonaria presidiu ao PSD em 1983-84. Perdi várias horas à procura de dados sobre ele, numa pesquisa para um trabalho inovador que está para publicação em breve.

É evidente que está muito caminho por andar. O site precisa de mais conteúdo e espera-se a presença do partido — de pessoas que falem por ele, que a ele estejam realmente ligadas — nas redes sociais habitadas por um número cada vez maior de portugueses.

Para mim, melhor que a surpresa de ver o esforço do PSD na direcção certa da web das pessoas, é encontrar no site do partido aquilo que me interessa. E isto não acontecia antes, por incrível que pareça.

(Uma nota sobre DNS à atenção dos técnicos. Sei que é correcto usar o indicativo www, mas não apontar o nome de domínio, psd.pt, também ao site é uma prática que já não faz sentido há mais de uma década. Muita gente, eu incluído, deixou de se dar ao trabalho de digitar o www. E não encontrar o PSD sem o indicativo www é desagradável.)

MEP: uma abordagem correcta

Aproveito o balanço para referir o site do mais recente membro do espectro partidário português. O MEP – Movimento Esperança Portugal começa com o mais “web 2.0″ dos sites institucionais que já vi entre nós, batendo mesmo o do Bloco.

A lista de redes sociais em que o MEP está presente, devidamente apresentadas, com orgulhoso destaque, na entrada do site, bem pode servir agora de inspiração ao PSD. Além do blogue, o MEP tem presença na Wikipedia, YouTube, Slideshare, Picasa, Twitter, Technorati, Hi5, Facebook, MySpace e até no The Star Tracker, uma rede que, apesar do nome em inglês, é suposto agrupar o “talento” português.

A abordagem do MEP à Internet foi correcta. Tem um site institucional que, sem deixar de o ser, consegue apresentar-se pouco formal. E do qual saem, como troncos de um árvore, os ramos de comunicação que estende na direcção dos diversos públicos. Com grande economia de processos, devo dizer.

[ Reprodução de artigo publicado originalmente no Expresso multimedia ]