Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de setembro de 2011

Um país de parolos

Somos um país de parolos. Vistas curtas. Montanheiros.

José Sócrates gozava — e, pelo vistos, ainda goza — de maior prestígio fora de portas do que cá dentro. A golpada que o apeou foi, e permanece, incompreendida por essa Europa política fora, de Zapatero a Merkel passando por Barroso. Todos estes líderes, sabe quem os frequenta, e outros de que eu não tive conhecimento, viam no antigo Primeiro Ministro português um par competente e despachado. Mesmo Barroso, em privado, lamentou a sucessão de tristezas que decapitaram Portugal no pior momento (o momento certo, do ponto de vista dos golpistas triunfantes).

Bastou José Sócrates fazer uma discreta viagem de despedidas a alguns dos que aguentavam este barco com ele, desde que a irresponsabilidade continuada dos banqueiros provocou em 2007 a sucessão de problemas que culminou com as dívidas dos Estados a pesarem acima do suportável pelos pagadores de impostos, para a parolice e a tacanhez se exibirem em todo o seu esplendor nas opinativas colunas e bits.

Nem sequer pouparam o próprio atual Primeiro Ministro, numa despudorada mostra de ignorância acerca do básico da diplomacia. Que falta de mundo, tsc tsc. Prefiro ler isto como a consequência do desinvestimento dos media a chegar agora aos próprios colunistas. É-me menos incómodo do que pensar que fazem de propósito.