Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de setembro de 2020

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil.

É um apoio lógico. Recordo, de resto, que em duas das primeiras reuniões do então MEL — o movimento que daria origem ao LIVRE —, as únicas a que fui, Ana Gomes esteve presente. Ou pelo menos numa delas. Creio que era euro-deputada na altura e esteve como uma convidada observadora, não tanto como ativista.

Nunca falei com o Rui Tavares sobre isso, mas calculo que tenham estado do mesmo lado da barricada em Bruxelas.

Contudo: é cedo para decidir o meu voto.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

Se numa fase muito preliminar achei que uma candidatura frentista de esquerda, federada pelo PS, era uma boa hipótese, depressa mudei de campo.

A história das presidenciais ajudou a essa mudança rápida. A esquerda — e dentro dela especificamente o PS (e refiro o posicionamento relativo no espectro, não a ideologia nem a praxis política) — quase sempre apresentou bons candidatos. Sublinho o plural. Soares e Sampaio ganharam presidenciais em que partiram para a corrida aos 2 e 3 candidatos só da sua área, fora o da área comunista.

Sendo pragmático, creio mesmo que as hipóteses de forçar uma segunda volta, mínimas que continuam, aumentam com mais candidatos à esquerda.

Recordo que não é um segundo lugar forte, que determina uma segunda volta. É o vencedor não ter 50% dos votos válidos mais 1. Podem os outros 50% ser distribuídos por 1, 2 ou 10 candidatos, não importa: nesse cenário, passam à segunda volta os 2 mais votados, tenha o segundo o número de votos que tiver.

Esta matemática eleitoral básica tem sido esquecida e isso não convém.

O que agora convém é beneficiarmos de uma campanha que tem muito mais interesse e utilidade do que se pensava de há 2 semanas para trás. O que agora convém é cuidar que o debate da campanha contenha o mais possível os temas essenciais e consigamos descartar o mais possível a imundície com que o candidato da extrema-direita e os pasquins que o apoiam vão sujar as eleições.

Quanto melhor for o debate de ideias, pior para Marcelo. E para o oportunista mentiroso.

Quanto mais consenso social se formar em torno dos temas da atualidade — o desastre climático em curso, o disparo da desigualdade e o processo eugénico às costas da COVID-19, entre os mais importantes — pior para a direita, que não tem uma solução a apresentar nem uma ideia positiva sobre eles.

Marcelo ganhar com 55% ou com 60% ou com 70% dos votos fará alguma diferença no curso do segundo mandato. A sorte grande é improvável, mas há muitas terminações a ganhar nestas eleições.