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Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de novembro de 2020

Segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Shots: indiferença, silvoterapia, LIVRE

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente. Ou a prosa que eu não pensei escrever e acabei por escrever. Mas como ficou grande, transformei-a em artigo e aqui para o diário faço apenas o lançamento.

Numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

A verdade é que eu deixei mesmo de ser jornalista. Não foi nada fácil desfazer-me da tralha jornalística, a começar pelo preconceito de ser uma profissão à parte, um salvador do mundo, um juiz supremo agindo em nome do povo. Dos tiques profissionais.

Na prosa, que podes ler no meu site ou na Medium, desenvolvo algumas hipóteses. Para concluir — e isto é importante — que não se me tornou indiferente somente por, como antigo jornalista, ter perdido o contacto e o gosto e o hábito e o interesse: também me é indiferente como cidadão consumidor de informação.

Se só podes ler um artigo hoje, que seja este, mas aviso-te já que tens de ser assinante do Público: Uma história exemplar sobre quando se perde o sentido das proporções. Uma lição de história pelo Rui Tavares. A sério: lê. Pede a alguém se não tiveres assinatura.

E por falar em Rui Tavares: parabéns Rui pelo 7º aniversário do LIVRE! Eu gostava de me ter envolvido mais. Mas não tinha jeito. Fico-me por eleitor.

Esgotei o tempo de escrita hoje com o texto sobre jornalismo. De forma que deixo aqui muito sinteticamente isto: Stressed About Corona? Connect With Nature For Greater Health, Happiness, And Creativity. Go back to nature, and you will feel reborn.

Onde se fala de Shinrin-Yoku, que é um termo não apenas mais bonito do que o português silvoterapia, como desconfio que representa melhor o ato de mergulhar numa floresta.

Se és cientista podes torcer o nariz: o texto tem uns, digamos, entusiasmos. Mas o essencial é correto: temos muito a ganhar com a imersão na natureza.

E eu que o diga. Passear no maravilhoso Parque da Paz, em Almada, como no paredão da Costa da Caparica, como num caminho silvestre por cima da arriba fóssil da Caparica, têm sido momentos fundamentais para o meu e o nosso equilíbrio aqui em casa, em tempos de confinamentos.

Pensei numa aplicação ou serviço ou desafio no Facebook — ou qualquer combinação dessas e de outras ideias. O objetivo: partilhar locais propícios ao Shinrin-Yoku, ou junto ao mar, rios, parques, passadiços. As câmaras municipais têm aplicado o dinheiro dos impostos em jardins e espaços verdes e nós nem sempre ligamos, podemos nem os conhecer ou não nos lembrarmos deles. Mas eles existem.

Olha: se te lembrares de sítios, responde a este email e envia-os.

Canseira: apps. Excitação: newsletters

Opiniões

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José Carlos de Vasconcelos sobre os abismos: Por este Rio abaixo. visao.sapo.pt

Isabel Moreira sobre o Chega, ou será sobre o PSD? O PSD e a pobreza da legitimidade formal. visao.sapo.pt

João Rodrigues sobre a asfixia da expressão nos grupos de media: O pluralismo mete-lhes medo. ladroesdebicicletas.blogspot.com