Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de dezembro de 2020

Quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Hoje:
👋 Eduardo Cabrita 👋
💰 1,8 biliões 💰
🤣 Miguel Sousa Tavares 🤣
☹️ O Fernando, o Miguel e eu


1
Eduardo Cabrita vai sair, deixando um vazio no Governo. Um golpe bem escusado. Podemos sempre contar com o PS para se exceder na má gestão dos timings políticos. Mudar de agência de PR e imagem não era nada má ideia.


2
No diário do dia 4 mostrei-me otimista acerca da resolução rápida do problema húngaro-polaco. Ontem o PM polaco anunciou o que se adivinhava iminente: Hungria e Polónia acordaram dar um passo atrás, o que permite desbloquear o orçamento e fundo de recuperação da UE. Foi o último serviço prestado pela presidência alemã do Conselho Europeu. 1,8 biliões de euros vêm aí para ajudar os Estados membros a recuperarem da pandemia. Uma pipa de massa, que fica conhecida em Portugal pelo ternurento nome de bazuca. Não é ainda claro qual foi a cedência da União. O Jornal de Negócios explica bem.

Já o imbróglio do Brexit conheceu outro revés. Afinal não há acordo. Nem vai haver tão cedo. Por mim, bye bye UK.


3
#blockchain #fakenews #LOL #ROTFL #MST #TVI #Cristina Tweet do ano: https://twitter.com/tiagorrdias/status/1336762579126001666


4
Não posso precisar se foi 1993 ou 1994, mas num destes anos abrimos a BBS A Rede. Dávamos acesso assíncrono à Internet, uma novidade. Dávamos endereços de e-mail. O Miguel Vitorino era o mago da coisa: o Fernando Soares e eu fomos roubá-lo à CATS BBS, que era a referência das ligações em Portugal. Além, claro, da CompuServe. E da rede universitária através da qual o célebre zmaglh gopherizava a biblioteca do Congresso dos EUA (não esperava agora esta, ó José Magalhães).

Passávamos horas no nosso escritório da Avenida da República, cedido pela Socedite — a empresa que tinha o Correio Informático e a Cérebro, publicações históricas de tecnologia. A Rede era composta por seis servidores com modems acoplados a linhas telefónicas, cada modem ligado a um número fixo. Os utilizadores ligavam esses números. Só podiam estar seis ao mesmo tempo. Noites perdidas a teclar com o zmaglh, que está neste instante a sorrir. E com o dr bakali, outro notável da pré-história da Internet portuguesa, que escrevia para o Blitz (então ainda um jornal, a primeira publicação portuguesa a ter uma versão eletrónica, disponível precisamente na nossa BBS).

Nós três íamos cear ao Galeto, às vezes o bakali aparecia. A Telepac era a rainha dos dados com o seu serviço X.25, uma mina de ouro: o Expresso pagava salvo erro 300 contos (1.500 euros) por uma linha dedicada entre as redações de Lisboa e Porto.

A Esotérica do Mário Valente arrancou. A Rede atrás dela, usando o UUCP deles para trocar e-mail com a Internet. Em 1995 estávamos a vender acesso à Internet. A Esotérica também. A IP Global arrancou. A Telepac começou a encapsular TCP/IP em cima das linhas X.25 — com a ajuda do “nosso” Miguel. Em breve se tornaria no principal ISP português.

A Rede não ficou para a História da Internet em Portugal. O Miguel, o Fernando e eu escrevíamos nas publicações da Socedite. O Miguel fazia testes a computadores para a Cérebro. O Fernando dirigia o Correio Informático, que se estava a transformar em Computerworld. Eu era o chefe de redação.

O Miguel também editava uma espécie de magazine cujo nome não me recordo e que se transformou na Recortes. A Recortes era uma das três publicações específicas sobre tecnologia e Internet que podias encontrar online no final do século XX. As outras eram a Dígito e o sapo.tek. Esta última ainda por aí anda.

Mesmo antes do século mudar de letra, no auge da era dotcom, o Miguel vendeu parte da Recortes a uma poderosa empresa de software e consultoria. Grandes planos para se profissionalizar e tornar a publicação numa referência. Claro: foi buscar-me ao Expresso, onde eu tinha acabado o inesquecível suplemento XXI e mantinha uma dupla página na Revista sobre a WWW.

O Fernando morreu fez agora cinco anos. Cremei-o. O Miguel morreu este outubro. Só soube esta semana. Nesse instante senti-me sozinho nesta parte do mundo que juntos ajudámos a criar.



OPINIÕES

Teresa Ribeiro acha que Os direitos humanos são uma realidade viva. Público 👉

Valupi afinfa em Daniel Oliveira e Luís Pedro Nunes: Das coisas estranhas e das outras que não causam estranheza. AspirinaB 👉

João Almeida Moreira goza com a política brasileira: O alfaiate de Bolsonaro. DiárioDeNotícias 👉

Miguel Relvas alucina sobre o governo: TAP: a inevitabilidade de um chumbo.Expresso 👉

Manuel Carvalho despede Eduardo Cabrita: Não merece uma medalha, senhor ministro. Público 👉

João Atanásio baba por Marcelo: O recandidato. JornalEconómico 👉