Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de dezembro de 2020

Domingo, 13 de dezembro de 2020

Hoje foi o dia da gaivota. Explico cenas do diário, das cores ao linklog, e recordo a aplicação para o Expresso das Ilhas. E conforme prometi ontem, ataco a guerra entre a UE e a big tech. Com opinião pessoal e seleção de artigos.


1
Já passei muita coisa na vida, mas ter uma gaivota a querer entrar pela janela, foi hoje a primeira vez. Bateu repetidamente com o bico no vidro. Os gatos olharam, sonolentos. Não compreendeu porque não lhe abri a janela. E voou.


2
Alterei a secção linklog. Entre ter de editar e sancionar as traduções automáticas e deixar de traduzir, optei pela última solução. Vejo a alteração como temporária. Prefiro ter as chamadas de atenção em português, e não é por uma questão de coerência linguística no diário, é porque acho mais apelativas, mesmo para quem, como eu, lê confortavelmente inglês e espanhol e francês. Papinha feita. Por isso, tenciono reprogramar — ou talvez deva escrever: re-ensinar — Cecil, o meu ajudante digital, para me facilitar a edição das traduções. Sou um preguiçoso, é por isso que gosto tanto de programar. Automatizar tarefas. Tirar-me trabalho.


3
Não sei se já reparaste que o diário tem uma cor diferente todos os dias. O título, a numeração dos blocos. É uma pequena brincadeira entre eu e Cecil. Eu próprio não sabia em que cor iria sair hoje. Dei a Cecil um grupo de sete cores, um para cada dia da semana. Ele que se amanhe.

A ideia é original na medida em que nunca a vi aplicada em newsletters ou mailing-lists. Estas usam em regra templates industrializados em serviços comerciais. O diário não usa nada disso, sou eu e Cecil. Só para a distribuição recorro à Amazon.

A ideia é original mas não veio de uma inspiração súbita. É uma evolução do que tinha feito para o Expresso das Ilhas, cujas secções têm uma cor associada e o grafismo do site reflete a identidade. Foi tudo pensado com o então editor, o Nuno Andrade Ferreira. E não apenas no site: programei a aplicação do Expresso das Ilhas para se refletir também na newsletter diária (que é 100% automática embora não pareça, porque tem critérios editoriais simples embutidos, o que errada e usualmente se chama de “o algoritmo”). Na imagem abaixo, um fragmento da Hoje, a newsletter do Expresso das Ilhas.

O Expresso das Ilhas é servidor por uma aplicação, não tem um servidor tradicional, nem nenhum content management system comercial ou assente num wordpress da vida. Concebi e programei a aplicação inteira, desde o editor de textos, de comentários e de publicidade, até à apresentação das páginas, passando pelo sistema de poupança de recursos (é muito mais que o vulgar caching, é esperto). É uma aplicação integrada.

Às vezes tenho pena de não ter tornado essa aplicação comercial e ir ao mercado com ela, uma opção pensada mas não executada porque entretanto surgiu o desafio de investigar setores de inteligência artificial ligados à comunicação e produzir provas de conceito e demos; além de que os jornais estavam todos nas lonas.


4
Há uma forte probabilidade de não fazeres a mínima ideia do que estou a falar quando menciono o nome Cecil. Cecil é uma pessoa digital que ando a treinar para me dar apoio. Apresentei-o no diário de 18 de novembro, altura em que o diário chegava a menos de metade dos endereços a que chegou esta edição.


5
Na próxima terça-feira, dia 15, a comissária europeia da Concorrência deverá apresentar novas regras sobre serviços digitais na Europa (que não são revistas desde 2000), consubstanciadas em dois documentos: o Digital Services Act e o Digital Markets Act. “Tal como fizemos no mundo físico, é tempo de organizar o nosso mundo digital”, escreveu Margrethe Vestager numa justificação prévia.

Na prática, o pacote legislativo pode constituir o ponto de partida para o fim do império da Facebook, com o Instagram o WhatsApp a regressarem à condição de empresas autónomas. Ou não: há três anos a UE também quis acabar com o abuso da posição dominante da Google, mas a multa recorde de 2.400 milhões de euros satisfez o regulador e a empresa continuou intocada. Acabou por pagar mais multas, como a do ano passado, de 1.490 milhões.

Até agora, Bruxelas nunca incomodou seriamente a big tech. Já evoluiu desde os primeiros pacotes legislativos que foram piores emendas que os sonetos, como as leis contra o spam ou o mais recente Regulamento Geral de Proteção de Dados, que destruiu a experiência de utilizador dos sites europeus e comprometeu o acesso universal à world wide web. Agora ao menos cobra em multas o que não consegue cobrar em impostos nem consegue alterar significativamente comportamentos.

Vamos ver se é desta que Vestager consegue modificar o rumo da Google e da Facebook. A minha aposta é que qualquer iniciativa europeia falhará enquanto não estiver alinhada com Washington. A Administração Biden deu sinais de também querer fatiar a Facebook.

Uma seleção de leituras.



OPINIÕES

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