Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de dezembro de 2020

Quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Hoje, o último diário do Incrível Ano de 2020. Com uma retificação factual, mais sobre o DN, mais sobre o diário e o futuro, e ainda as figuras do ano, sem esquecer as fixas: livro do dia, opiniões e linklog.

Pois é. Errei. No último diário, o de dia 29, escrevi sobre a periodicidade do DN: “um período em que o jornal saiu uma vez por semana e depois não saiu de todo durante meses”. Leitor atento respondeu com o reparo. Repondo a verdade factual, o DN nunca deixou de ser publicado: quando em 2018 passou a semanário começou por sair ao domingo, passando depois para o sábado.


1
A propósito do DN e da sua nova etapa, recomendo-te duas leituras mais:

Gonçalo Pereira Rosa escreveu o director que recusava sair de cena, a história (inédita) do director teimoso, Eduardo Schwalbach.

J.-M. Nobre-Correia separa as ambições e as realidades, onde calcula que para realizar um diário “de referência” em Portugal, publicado sete dias na semana, seriam precisos no mínimo uns 150 a 180 jornalistas técnica e culturalmente qualificados, e a ficha técnica do DN apresenta 50 ou menos.

Estava para escrever precisamente sobre os recursos, humanos sobretudo mas não só, ou não só jornalistas: não se vêem na ficha técnica profissionais de nenhuma das áreas essenciais para o futuro do jornalismo. O principal dessa argumentação é aqui apresentado pelo Nobre-Correia.


2
E a propósito do supracitado reparo, feito por um antigo jornalista do DN, um naco de meta-informação. Esta é a 53ª edição do diário. A aventura começou no dia 14 de outubro. O feedback surpreendeu-me e é encorajador. Passados dois meses estou a trocar correspondência numa base diária, entre correção de erros como o do DN, sugestões de leituras, elogios & cumprimentos, e pedidos de informação adicional.

Estão lançadas as bases para se cumprir um desígnio do diário, que é a aposta na informação 1 para 1. Oh, aguarda: terei muitas novidades nessa frente, com o apoio do Cecil — não para comunicar por mim, nada disso, mas para me ajudar e sobretudo te ajudar a complementar informações, a encontrar contextos e significados na torrente noticiosa dos dias.

Uma vez mais te digo: basta premir o botão do reply e dizeres de tua justiça ou perguntares o que te apetecer.

Além do crescimento da base de assinantes e da correspondência, não tenho mais dados para apresentar pela simples razão de que essa não é uma preocupação nesta fase. Ainda nem comecei a recolher os dados analíticos típicos das newsletters. Estamos na fase de estabilização do formato. E ainda longe da estabilidade: por exemplo, só por esta a, na edição anterior, adicionei o livro do dia.


3
E as figuras do ano 2020 são!… Ursula von der Leyen, Joe Biden e Marta Temido.

Personifico na presidente da Comissão Europeia os dois passos de gigante dados pela União Europeia, para surpresa de muitos, eu incluido, que andavam céticos quanto aos sinais emitidos pelos centros de poder europeus. Houve, e há, centenas de pessoas envolvidas a vários níveis de responsabilidade, mas creio que Ursula von der Leyen será a pessoa individual que mais se empenhou no plano de recuperação de 1,8 biliões de euros e na distribuição simultânea da vacina para a covid-19 nos 27 membros da União Europeia.

Uma menção para a chanceler alemã Angela Merkel, para quem 2020 foi o último ano na política executiva ao mais alto nível. A Europa e o mundo devem-lhe muito. Se von der Leyen brilhou, Merkel não lhe fica muito atrás.

Num nível internacional menos eurocêntrico, a figura foi Joe Biden. O presidente eleito dos EUA foi o único dique a travar a enchurrada de disparate produzida pelo trumpismo. Surpreendeu pelo resultado, mas a mim surpreende-me mais pela forma como, uma vez eleito, começou a desenhar a futura Administração Biden: com um sinal fortíssimo de inclusão, que é a única esperança para a reconciliação, muito difícil, das populações desunidas por Trump.

Dentro das vetustas fronteiras portuguesas, Marta Temido não é uma escolha difícil. A Ministra da Saúde, que parecia politicamente frágil, e era politicamente jovem, superou e levou-nos a superar o enorme desafio colocado pela pandemia. Entre erros, teimas e políticas acertadas, o balanço é claramente positivo. Numa escala de 0 a 20 não sairia do ano com uma grande nota, não chegava ao 13, mas é a melhor nota da turma quand même.

Duas menções especiais: António Lacerda Sales e Graça Freitas. O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde e a Diretora Geral da Saúde foram chamados a jogo de forma inesperada e saíram-nos bons trunfos. A nós a a Marta Temido. O trio personifica um conjunto mais vasto no qual não deixo de pensar no momento da seleção do melhor de 2020: os envolvidos diretos no Serviço Nacional de Saúde.



LIVRO DO DIA

De Nick Bostrom, edição em português: Superinteligência: caminhos, perigos, estratégias. Não é uma leitura fácil, digo eu que comecei agora. Mas tenho de o ler: a condição humana e o futuro da vida inteligente estão entre os meus assuntos prementes. Ser recomendado por Bill Gates e Elon Musk não me diz nada de especial, mas há quem os aceite como boas referências.



OPINIÕES

Simões Ilharco escreve sobre Passos e PSD: Eventual regresso de Passos seria mau para o país e partido. DiárioDeNotícias 👉

Nuno Andrade Ferreira escreve sobre votos e Presidente da República: Eleitores de segunda? Público 👉

José Manuel Pureza escreve sobre economia política da saúde: Vacinas de primeira e doenças de segunda. Esquerda 👉

Rute Agulhas escreve sobre o ano: O que aprendemos em 2020? DiárioDeNotícias 👉

João Ramos de Almeida escreve sobre Maria João Avillez: Branqueamento. LadrõesDeBicicletas 👉