Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de março de 2008

Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (2)

letrasdejornais.jpgComo vimos na primeira parte deste artigo, há diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. O que não houve, regra geral, foi um jornalista para dar por isso (duas excepções de onde menos se esperaria, ler abaixo).

Oriunda da Lusa, a história foi contada e recontada em dúzia e meia de órgãos de comunicação social no seu formato original, notando-se as variações de tratamento somento ao nível cosmético: títulos, chamadas, rearrumação de parágrafos.

Um único órgão de comunicação fez a confirmação dos factos ou pelo menos procurou dar outro lado, outro ângulo. Assim, este é um bom exemplo de caso para apresentar aos estudantes de jornalismo e aos interessados na profissão sobre os perigos do jornalismo viral — uma nova formulação para uma prática antiga que consiste em colar o telex da Lusa, ou o recorte de outro jornal, de olhos fechados.

O simples recurso ao Google permite-nos fazer o tracking da notícia e ver como, eventualmente na ânsia de dar aos “seus” leitores a informação, não se cuidou na esmagadora maioria das Redacções de acrescentar valor — que é, afinal, o factor diferenciador para um título conquistar a admiração pública e manter as audiências e o prestígio.

O único jornal que o fez — isto, dos 14 que cuidei de verificar a partir da lista obtida no News Google — foi o Correio da Manhã, que publicou uma notícia na secção de Tecnologia e deu-lhe um enquadramento próprio (com foto do seu repórter) e correcto, com um título chamativo mas ambíguo quanto baste. O Tek.sapo teve a virtude de “ler” o despacho da Lusa e editá-lo, suprimindo o pior.

Como leitura complementar para os conceitos de link journalism e networked journalism, é essencial ler Scott Karp em Publishing 2.0, aqui sobre McCain e aqui sobre a história de Eliot Spitzer.

Agradecimentos à Ana, que ao publicar no Dados pessoais um post que colocou o assunto na perspectiva correcta me motivou para a elaboração deste estudo de caso.