Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

20 de junho de 2012

Atenção, Álvaro. Quem é que verdadeiramente gera emprego: os consumidores

Um ano depois de entrar ao serviço, e tendo o número de desempregados aumentado disparatadamente nesse período, indo continuar a aumentar, o governo português mostra-se surpreendido com o desemprego. Não se riam porque é verdade. É a sério: os economistas ministros, ou ministros economistas, dizem-se surpreendidos com o desemprego, que teima em não se portar como eles esperavam.

Se quiserem saber, isto assim explicações rápidas e que não levam em conta o cenário de longo prazo, eu conto: Álvaro, Vítor, Passos — pá — vocês foram enganados. Modificar as leis do emprego a favor dos patrões é bom para os patrões, mau para os empregados — e inútil para gerar emprego.

Como calculo que, sendo os três economistas, não façam a mínima ideia do como a coisa funciona na realidade, eu, que não sou economista e por isso sei ver como o mercado opera, pois aceito que foram enganados e não se fala mais nisso.

Quem efetivamente gera emprego não são os patrões. Para as empresas o trabalho é um custo. Logo, um dos principais objetivos da gestão é reduzi-lo de forma a melhorar a rentabilidade (não confundir com produtividade, que é animal de outro zoológico). A rentabilidade, que é a remuneração dos donos ou acionistas da empresa, é o único objetivo de uma empresa. Tudo o mais é acessório, custo, despesa.

Sim, claro, quando novas ideias se tornam em empresas, é uma maçada mas tem de se abrir postos de trabalho.

Esse fenómeno ocorre quando as ideias são tão boas que interessam a uma clientela potencial ao ponto de justificar uma organização para a colocar em prática. É aí que entram em cena os empresários, que são bons organizadores. E vão tratar de satisfazer os consumidores — que são quem realmente gera e justifica o emprego.

Acreditem os três: é fácil comprovar. Pensem no que acontece quando um dado produto ou serviço perde consumidores. Pois é: o responsável pela organização tem de reduzir os encargos com a matéria prima, os processos e o trabalho, de forma a manter as coisas a funcionar a contento tanto dos donos, ou accionistas, como dos consumidores sobrantes.

Podemos preferir dizer ao contrário: quanto maior for o número de consumidores satisfeitos, maior é o valor para os accionistas e mais trabalho é necessário, como já dizia Peter Drucker.

Pronto, por hoje é tudo, não vos quero maçar mais. Logo à noite leiam este artigo da Forbes, que explicou a coisa direitinho ao vosso camarada enganado nos Estados Unidos, Mitt Romney: The Real Job Creators: Consumers.

A forma mais direta de reduzir o desemprego não é reduzir os custos com o trabalho, é estimular o consumo. Ah, mas agora não podem porque vos mandaram encolher a economia produtiva e aniquilar o Estado? Azar. Continuem a assobiar para o ar e a fugir do assunto, enquanto vêem o desemprego subir e o emprego diminuir. Eu, se fosse a vocês, evitava de caminho as patetices como “a agricultura é uma solução” e fugia dos conselhos do Presidente da República, que é o melhor economista português dos últimos 30 anos, a julgar pela sua capacidade de antecipação.

Se o assunto do emprego vos interessar assim muito muito, ao ponto de quererem uma dicas sobre o que esperar nos cenários a longo prazo, ficam abaixo mais links.

O fim do emprego como o conhecemos e o seu efeito na economia de mercado

O desemprego, a greve geral, o auto-emprego e o descartar das responsabilidades das elites

Três medidas para baixar o desemprego, com efeitos nos curto, médio e longo prazos

Uma música (e letra) para o dia da greve geral, dedicada ao governo (pronto, este é só para entreter).

Notem: dará jeito ter noções, mesmo que vagas, sobre o que é a demografia, o computador e a Internet. Não se acanhem e cliquem nas palavrinhas: lerão o bê-á-bá na Wikipedia.